quinta-feira, 21 de maio de 2015

AS FURADAS DO ZÉ MUNDÃO


As coisas mudaram para o Zé, ao sair da adolescência, quando surgiram os bailes em clubes, as piscinas artificiais e os shows de artistas locais e de outras plagas. Imaginem um caboclo surubim, ou seja, liso, mas cheio de pinta! Era o próprio Zé Mundão! Trabalhava muito, ganhava uma merreca no emprego e um monte de contas para pagar. Não tinha escapatória, o negócio era furar (entrar sem pagar) nos clubes para se divertir.

O Zé, apesar de ser torcedor do Fast Clube, gostava de frequentar o Atlético Rio Negro Clube, mesmo não sendo sócio dependente, porém, adorava nadar na piscina. Às vezes, misturava-se entre os só- cios e entrava pelo portão principal. Quando era barrado pelo porteiro, a única solução para entrar era escalar as árvores laterais e, assim, entrar no clube na maior caradura.

Outra vez, ao pular do mais alto do trampolim, Zé deu um impulso, tentou saltar de cabeça, mas caiu de barriga na piscina. Além da dor, sofreu a gozação dos sócios! Ficou com tanta vergonha, que não voltou mais a frequentar aquele lugar!

O clube de coração era o Nacional Fast Clube, conhecido como Rolo Compressor, nele, tinha grande admiração pelos jogadores, principalmente dos irmãos Piola.

 Para assistir aos jogos, dava uma “pernada” até o Parque Amazonense, na Vila Municipal; sem grana para comprar o ingresso, a solução era subir em árvores existentes ao redor do estádio ou partir para “furar” (a estratégia era aguardar o início da execução do Hino Nacional, quando os guardas ficavam em posição de sentido, para pular o muro).

Quando foi inaugurado o Estádio Vivaldo Lima, conhecido carinhosamente como Tartarugão, não tinha brecha para ele entrar sem pagar, o único jeito era comprar o ingresso mais barato, para a geral. Daí, pular para a arquibancada, onde podia assistir com mais comodidade a partida de futebol.

Num jogo de casa cheia, estavam em campo o Rio Negro e o Nacional, os times com mais títulos no Amazonas. Para esse jogo, o Zé pegou corda de seu colega, o Rogério português, nacionalino doente.

 A partida estava empatada em 2x2, placar que beneficiava o Barriga Preta (como era conhecido o Rio Negro), então, eles escalaram a parte detrás do placar (que era manual) e, num descuido da pessoa responsável, alteraram o jogo para 3x2 em favor do Leão da Vila (o Nacional).

Foi um alvoroço geral nas torcidas e no campo de futebol, com aplausos, vaias e xingamentos de todos os lados. Os guardas da PM foram até o local para averiguar o autor daquilo, quando, então, foram informados de que alguém da torcida do Leão tinha feito a alteração.


Os dois, com medo e arrependidos do que fizeram, correram em disparada para o portão de saída. Depois dessa, deram um bom tempo sem irem ao Vivaldão. 

segunda-feira, 18 de maio de 2015

O BATIZADO


Dormi muito na Praça da Igreja de Manacapuru, perdi as contas, certa vez amanheci dentro de um fusquinha, fui acordado por uma cabocla com um filhinho no colo, abri o vidro, ainda estava sonolento e dando aquele bafo de onça, ela me falou que era uma mãe solteira, da vida, porém, queria tornar o seu filho um cristão, pediu para eu ir até a Secretaria da Igreja e falar para o padre que eu era o pai da criança, pois somente assim ela poderia batizar o seu filho, ela chorava, o menino também, apesar da minha negativa, ela insistia.

O meu coração é mole e, sem contar as consequências, aceitei fazer a encenação – cheguei à igreja, despenteado, a roupa toda suja da farra do dia anterior, os olhos de ressaca, dando aquela dose de mil no padre, ele me ouviu pacientemente, mas não entrou no meu papo fajuto.

Com a negativa do padre, a mulher começou a chorar, o menino também, fiquei todo desconcertado, ainda tive que pegar uns quinze minutos de sermão do padre, para completar, para a remissão dos meus pecados, o padre me mandou rezar uns cem “Pais Nosso” e umas duzentas “Aves Maria”.

Apesar de tudo, o padre entendeu a minha intenção, pois eu queria somente ajudar - já pensou no buraco em que eu iria me meter, poderia começar a pagar pensão alimentícia ainda muito novo, fui muito inocente.


Mas, valeu, ele aceitou batizar o curumim no domingo seguinte.

Ela ficou muito agradecida pelo meu gesto e me convidou para ser o padrinho, agradeci gentilmente o convite, falei que não era daquela cidade e que iria viajar para outro Estado, tirei pela tangente, chega de rolo pro meu lado. Eu, hein!

domingo, 10 de maio de 2015

O EMPRESÁRIO PILANTRA



Trabalhei numa grande empresa de revenda de eletroeletrônicos, situada na Rua Marechal Deodoro, centro de Manaus - certo dia, apareceu por lá um grande empresário de Manacapuru, ele fez uma enorme compra de camas, colchões, criados-mudos, ventiladores, ar condicionados, geladeiras tipo frigobar, abajures, espelhos e televisores – imaginem o que ele iria montar, é isso mesmo, um Motel em Manacá – o empresário ganhou um bom desconto e ainda foi brindado com um financiamento para pagar em doze suaves duplicatas.

Ele ficou empolgando e caído pela vendedora que o atendeu e, como forma de agradecimento, convidou toda a galera da loja para a inauguração do “Hotel” disfarçado, pois um motel nunca fora bem visto pelo pároco e pelos mais velhos moradores do interior.

Segundo ele, seria servido um jantar especial: – Guisado de Tracajá, Sarapatel e Pirarucu no leite da castanha da Amazônia, além de algumas caixas de cerveja - tudo seria por sua conta.

Num sábado, uma turma viajou cedo da manhã, enquanto outra seguiu após o expediente - desde as duas da tarde que o “mé” rolava solto, depois, chegaram uns caboclos da região, se enturmaram e começaram a derrubar as ampolas, encheram a cara, foram embora sem pagar nenhuma, tudo bem, não tinha problema, pois tudo era “zero oitocentos”.

Notei que o empresário estava afim da vendedora gostosona, mas ela não dava a mínima para o sujeito – ela começou a amostrar as asinhas para o meu lado, naquela época eu não dispensava nada, pegava até gripe.

O velho ficou impaciente, serviu o jantar com uma cara feia e, no final fez as contas e detonou:

- O “Traca” e o “Piraca” é por minha conta, porém, as bebidas vocês devem pagar.

Tomei um puto do susto, quase que vomitava o bicho de casco na hora, peguei um pouco de folego e falei:

- O senhor falou lá Manaus que tudo era por sua conta!

Ele respondeu na maior cara de pau:

 - O jantar, meu filho, aqui é um comércio, quem é que vai dar bebidas de graça por ai, talvez em casamentos ou aniversários, não é o caso por aqui, quero agora a “babita” aqui na minha mão!

E agora, José? O bicho pegou!

Fizemos a cota, quase deixa a negada na lisura, ainda bem que era final de mês, tínhamos recebido a nosso salário. Deu para pagar a conta, depois, fomos para o Clube do Flamengo, curtimos uns embalos de sábado à noite.

Não engoli direito aquilo, foi uma pura sacanagem do velho, ele tinha um sotaque diferente, não era filho de Manacapuru, pois o povo de lá é gente boa.

Propus fazermos outra conta no domingo de manhã, primeiro, compramos as passagens de ônibus, deixamos toda arrumada as nossas bagagens, o lance era beber e comer até minutos antes da saída do ônibus e “sair à francesa” -, deu tudo certo.

Na terça-feira, bem cedinho, o velho apareceu para cobrar a conta, todos foram chamados a falas pelo Gerente Geral - até explicar que “nariz de porco não servia para tomada”, pegamos uma baita chamada “no saco”, ainda tivemos que fazer um vale no financeiro para pagar a conta - o pior, o velho multiplicou a conta por dez, jurou de pés junto que nos consumimos tudo aquilo, somente para sacanear de novo.

O problema era a vendedora que deu um fora no malandro, inclusive, ele fez cena e ainda queria cancelar parte das compras, somente não foi efetivada, pois na última hora a coitada aceitou jantar com ele.


Outro detalhe: as doze duplicatas foram pagas somente com a pressão do advogado da empresa - nas minhas andanças por Manacapuru, evitava passar pela frente do Motel daquele empresário pilantra. É isso ai.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

O ENTERRO

Manacapuru é uma cidade do interior do Amazonas, teve o seu nome originado de uma belíssima flor - Manacá = flor e puru = matizada – chegou ao seu apogeu no auge da industrialização da fibra da Juta, tanto que era uma linda cidade, assim como foi a minha Manaus antiga, chegou a ser conhecida como a “Princesinha do Solimões” - tenho uma relação toda especial com ela, pois viajei centenas de vezes para lá na minha juventude, onde passei poucas e boas nas minhas andanças – uma das que mais marcou foi o sufoco em que passei para participar do enterro de um ente-querido.



Viajei muito em companhia dos meus irmãos Henrique e Graciete e dos amigos Mariza e Chiquinho, eles moravam em Manaus, no bairro da Matinha e tinham parentes em Manacapuru, no bairro da Terra Preta, num conjunto habitacional, onde ficávamos hospedados.

O tio dos nossos amigos era um sujeito muito extrovertido, gostava de fazer pegadinhas e de contar piadas, ele tinha um box no Mercado Municipal - era muito querido por todos os moradores da cidade.

Certo dia, ele passou mal, sendo levado às pressas para o Hospital Militar, em Manaus, ficou uma semana internado, fez uma cirurgia e estava passando bem - a família voltou para Manacapuru para tratar dos negócios do velho.

No domingo seguinte, tínhamos acabado de voltar de Manacá, viemos em companhia da sua esposa e do seu filho mais velho, fomos direto ao hospital fazer uma visita e, para nossa triste surpresa, ele havia falecido no sábado, estava na pedra, pois os dirigentes não conseguirem entrar em contato com a família.

Providenciamos a compra do caixão e a liberação do corpo para ser transladado para Manacapuru, alugamos uma Kombi velha para levar o esquife e a família - fui solidário e voltei com eles para Manacá.

Levamos um tempão para atravessar o Rio Negro, apesar da prioridade para embarcar na balsa - no inicio da estrada furou um pneu, foi trocado, mais adiante, furou outro, pois todos estavam “carecas”.

A família pegou um táxi, o “motora” da Kombi foi junto, levou os pneus para serem consertados na cidade, agora, imaginem quem ficou sozinho com o caixão no meio da estrada – o maluco que vos escreve - o corpo já estava exalando certo fedor, pois estava passando da hora de ser enterrado – pense numa situação complicada, além dos mais, já estava anoitecendo.

Forcei o carro e consegui colocá-lo bem no acostamento, pois poderia haver um acidente fatal, não bastasse o morto que estava na Kombi – fiquei com medo (Quem não ficaria?) - fui até a casa mais próxima, um senhor me serviu café e se prontificou em ficar comigo guardando o caixão e a Kombi. Lá pelas oito da noite chegou o socorro, veio uma Kombi, aparentemente, mais nova, colocamos o caixão no outro carro e seguimos viagem, faltavam somente oitenta quilômetros para chegar a Manacapuru, com a estrada parecendo uma “tábua de pirulito”.

Ao chegar à cidade, uma multidão estava aguardando o corpo, fomos direto para o Cemitério Municipal - para completar, quando estavam fazendo a despedida do morto, deu uma ventania e um forte trovão – a luz foi embora – imaginem a situação, era gente correndo para todos os lados, neguinho gritando de medo – eu fiquei estático, não sabia o que fazer, não via um palmo a minha frente, era uma escuridão total – fiquei na minha e não corri - ainda bem, pois a energia voltou minutos depois - o enterro foi feito às pressas, em decorrência da ameaça de uma chuva torrencial.

Passei a noite na casa da família enlutada, quem disse que dava para dormir, era uma choradeira total - lá pelas quatro da manhã fui avisado que um ônibus iria para Manaus, peguei o buzão na Rodoviária, estava totalmente lotado, segui viagem em pé, assim mesmo consegui dormir todo o percurso - quando cheguei a minha casa, desmaiei de sono, fui trabalhar somente na terça-feira.


Esse enterro foi um sufoco total, mas, quando me vem à lembrança, sinto saudades do meu amigo que se foi, dos colegas de outrora e da nossa querida cidade Manacá. É isso ai.  

segunda-feira, 27 de abril de 2015

SECOS & MOLHADOS


O MÊS DE MAIO SERÁ O MÁXIMO - Para início de conversa, o dia primeiro será feriado (Dia do Trabalhador) e vai cair logo numa sexta-feira! Outra coisa, serão cinco sextas-feiras, cinco sábados e cinco domingos, um evento que somente acontece em cada oitocentos anos! Então, vamos aproveitá-lo, pois o próximo será em 2815!




BAR CALDEIRA É O BICHO! Pois é, estive no sábado passado no Bar Caldeira "Oficial", para apreciar um chorinho pela parte da tarde e muito pagode à noite, além de poder encontrar os velhos amigos e jogar conversa fora. Fui recebido pelo meu amigo Carbajal Gomes, ele fez questão de mostrar os investimentos que está fazendo em seu estabelecimento. Para ser ter uma ideia, o prédio que fica ao lado (construído no inicio do século passado) está sendo preparado para ser um restaurante/bar de qualidade, onde os frequentadores poderão, brevemente, desfrutar de tira-gostos com qualidade superior e pratos econômicos com o toque de um Chef, além de um bar climatizado na parte superior, onde as pessoas poderão conversar sossegadamente e apreciar exposições do mundo artístico manauara. Os banheiros serão de primeira e a cozinha certificada. Que bom! O Carbajal é um cara empreendedor, com o foco na qualidade e bem-estar dos seus clientes. Parabéns!



22 DE ABRIL – Em 1500, o navegador Pedro Álvares Cabral torna-se, oficialmente, o primeiro europeu a chegar ao Brasil. Ontem foi feriado e, hoje, não! A data do nosso “descobrimento” não é tão importante assim, em decorrência de termos tido uma “invasão” e não um verdadeiro descobrimento, pois aqui já tinham aportados muitos estrangeiros antes do Cabral, bem como, os reais donos e descobridores do Brasil foram os nossos ÍNDIOS!



PIROCA DO MAZOCA - Na rotatória do Parque do Mindu, no Parque Dez de Novembro, Zona Centro-Sul, o local era uma “fuzarca” e, na administração do Amazonino Mendes, fez um trabalho que foi motivo de zombaria nas redes sociais, em 2012. Passei hoje por lá, o atual Prefeito está fazendo um trabalho de recapeamento padrão FIFA, o problema maior é a “Piroca do Mazoca” que ainda permanece no local! É Mole ou quer mais? Foto: PMM


E A PEIA COMENDO - Tenho vários amigos e um monte de colegas e conhecidos, alguns deles são explicitamente contra o PT e o governo da Dilma, outros tantos, defendem com unhas e dentes a situação – no meio dessa peleja toda, fico de arquibancada ou por não dizer “em cima do muro” presenciando essa briga toda. Sempre os que estão fora do poder, querem entrar e, os que estão dentro, não querem sair! Sou passado na “casca do alho”, já presenciei militares no poder, com a ARENA apoiando e o MDB na oposição, depois, veio o pessoal do PMDB, PSBD e PT e muitos outros “juntos e misturados”. Isso vai continuar até o fim dos tempos, com uma parte fora do poder, chupando o osso, depois, volta ao poder, com dias de fartura e bonança! E o povo, como fica nessa disputa toda? Sempre pegando peia! E o meu caso, pois não sou oposição nem situação!





AI SE EU TE PEGO

Devagar 
Deixa o meu dono me largar
Ai se eu te pego,

Cachorra
Você vai ver o que é bom pra tosse,

Porra!

sexta-feira, 24 de abril de 2015

MORRERAM AS ÁRVORES PLANTADAS PELA “SEC” NA RUA JOSÉ CLEMENTE

  

A Secretaria de Estado de Cultura (SEC) efetuou o corte de mangueira no Largo de São Sebastião, esse crime ambiental ocorreu em 2012 e, para compensar foi obrigada a fazer um plantio de mudas nativas na Rua José Clemente - passados três anos, todo esse trabalho foi em vão, pois praticamente todas as árvores morreram por falta de cuidados.

Para maior comodidade do público, a Secretaria de Cultura do Amazonas ordenou o corte de uma mangueira, pois estava “atrapalhando” a colocação de palcos do show milionário conhecido como “Glorioso” (um acinte a população pobre do Amazonas).

Houve uma gritaria geral, principalmente nas redes sociais e, para tentar “compensar” o estrago feito, a SEC elaborou um projeto paisagístico, com mudas nativas selecionadas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMAS) – o local escolhido foi a Rua José Clemente, por detrás da Santa Casa de Misericórdia.

Acompanhei esse trabalho, era uma noite de setembro de 2012 – os “técnicos” abriram buracos na calçada, retirando as famosas e históricas “Pedras de Lioz” que foram jogadas no meio fio e por lá permaneceram até desaparecerem.

Nos buracos foram plantadas 50 mudas de espécies nativas como o Pau-Pretinho e o Ipê Amarelo, com o objetivo de proporcionar sombra, conforto térmico e um paisagismo inédito – foram colocadas grades de proteção e gradil para área permeável.

Meses depois do plantio, fui verificar como estavam as plantas – foi tristeza geral, pois as grades de proteção estavam quase todas caídas, em decorrência do material péssimo e da destruição por parte dos “flanelinhas” que são os “xerifes” daquela área.

Um ano depois, voltei novamente ao local – para minha surpresa, notei que as maiorias das árvores tinham resistido às agressões sofridas – tirei uma fotografia e publiquei no nosso blog.

Passados três anos, apenas uma está grande e bonita, outras cinco ficaram “nanicas” e o resto morreu por falta de cuidados por parte da SEC e da SEMMAS e, principalmente, da falta de conscientização dos moradores, comerciantes e flanelinhas daquela área.


Sacanagem! É isso ai.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

PARQUE SAMAUMA


Parque Samaúma, visto da praça de alimentação do Shopping Sumaúma - ao fundo, aparecem o bairro de Parque Dez.
Foto: Rocha

Sobre a árvore Samaúma:

segunda-feira, 20 de abril de 2015

TRABALHO ESCOLAR SOBRE O TIRADENTES


Eu deveria ter os meus quinze anos de idade, era a “Semana de Tiradentes”, estudava no Colégio Benjamin Constant, no centro de Manaus – não entendia muito bem como um homem que arrancava dentes, aparecia com uma forca no pescoço e torna-se o patrono cívico do Brasil, com direito a feriado nacional.

A professora pediu para a turma que fizesse um trabalho escolar sobre o “Tiradentes” – formei um grupo de cinco colegas e fomos à procura de informações sobre o homem – não tínhamos a facilidade de hoje, com a internet na palma mão, o único jeito era pesquisar na “Biblioteca Pública” ou na famosa enciclopédia “Barsa” (uma combinação dos sobrenomes do casal Dorita Barret “Bar” e Alfredo de Almeida Sá “Sa”, detentores dos direitos).

A minha família tinha adquirida uma coleção completa – muitos vizinhos sempre batiam a nossa porta, para emprestar um volume para pesquisas, pois ela era uma referencia como canal de conhecimento de forte credibilidade.

Em decorrência disso, pude ler tudo sobre o nosso herói nacional e, fazer um excelente trabalho escolar – um dos componentes do grupo chamava-se José Belchior, era meu vizinho e tinha um talento invejável para o desenho – ele fez a capa – um trabalho merecedor de uma nota 10!

Era tudo feito a mão, em folhas de papel cartolina, muito diferente dos dias atuais, onde os alunos copiam da internet e colam, utilizando o editor de textos e impressora.

Semana passada, ao olhar um calendário, fiquei sabendo que no dia 21 haveria um feriado e, fiquei a pensar: - Mais um feriado? Juro que tinha esquecido o mártir Tiradentes!


Esse feriado me fez lembrar aquele antigo trabalho escolar, foi uma volta ao passado. É isso ai. 

Sobre Tiradentes: 


sábado, 18 de abril de 2015

BLOGDOROCHA: A LADEIRA DA RUA TAPAJÓS

BLOGDOROCHA: A LADEIRA DA RUA TAPAJÓS: A famosíssima ladeira da Rua Tapajós foi palco de muitas brincadeiras e travessuras na minha adolescência. Fui morar na Vila Paraíso na ...

sexta-feira, 17 de abril de 2015

TÁ COMBINADO, SIM SENHOR!

Tempos atrás foi aberta uma Comissão Parlamentar de Inquérito, batizada como a “CPI dos Combustíveis”, na Câmara Municipal de Manaus (CMM), para investigar se havia ou não um Cartel (acordo entre concorrentes para fixação de um preço com o objetivo de obter lucros vantajosos, em prejuízo dos consumidores) – foi feito um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado pelos representantes dos postos de combustíveis e o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE).

Pois bem, a referida CPI para não fugir a regra, virou “Pizza” e, os donos dos postos de combustíveis continuaram praticando preços abusivos e combinados entre si.

Um levantamento feito pelo PROCON-AM, ocorrido em nove de abril corrente, entre 32 postos de gasolina da capital, chegou à conclusão que, 31 deles praticavam o mesmo preço para gasolina comum (R$ 3,59), apenas um deles cobrava R$ 3,58 pelo litro! O diesel S10 é igual para todos (R$ 3,05). 

Existem apenas dois postos de gasolina que não entraram na pesquisa, na qual praticam os menores preços da cidade (R$ 3,54), mesmo assim é abusivo e, quem sabe, combinado entre eles!

Essa prática configura, realmente, um preço combinado, sim senhor!

quarta-feira, 15 de abril de 2015

BLOGDOROCHA: INAUGURAÇÃO DO PALÁCIO RODOVIÁRIO

BLOGDOROCHA: INAUGURAÇÃO DO PALÁCIO RODOVIÁRIO: Existem vários palácios em Manaus (Rio Negro, Rio Branco, da Justiça e o   destruído Palácio do Governo, atual IEA) - o Palácio Rodoviári...

domingo, 12 de abril de 2015

ANIVERSÁRIO DO ROCHA FILHO


Hoje, 12 de abril, um dia de comemoração para nossa família, pois foi o dia em que nasceu o primogênito do Rocha Martins e Dona Nely Fernandes, o Rocha Filho.

Por ser o meu irmão mais velho, ajudou muito o nosso saudoso pai em sua oficina de violões, indo trabalhar ainda muito jovem no comércio de Manaus e, com o produto de seu trabalho colaborou muito na nossa criação e no sustento da nossa casa.

O meu irmão estudou no glorioso Colégio Estadual D. Pedro II, na época em que o ensino público era de qualidade. Passou no concorrido vestibular da Universidade do Amazonas, atual UFAM, onde se formou em Ciências Contábeis, exercendo a profissão de Contador até os dias atuais.

Trabalhou na Moto Importadora Limitada, uma das empresas mais organizadas e sólidas de Manaus, pena que o dono resolver fecha-la quando estava no auge. Depois, foi trabalhar no Banco do Estado do Amazonas (BEA) e na CABEA (caixa de assistência dos funcionários).

Puxou para o meu pai, um trabalhador incansável, porém, adora uma boêmia, sendo muito conhecido e admirador pela sua inteligência e bom humor – um frequentador assíduo do Bar Caldeira, Bar do Armando e dos botecos da Praça de Alimentação do Conj. Tocantins.


Todos os anos faz questão de comemorar o seu aniversário – hoje tem festa no condomínio Villa Del Fiori, na Avenida Constantino Nery – mando um abração ao meu irmão, a sua esposa Du Carmo e a sua filha, a advogada Bruna Martins. Parabéns e vida longa, mermao! 

quinta-feira, 9 de abril de 2015

HAJA DATA COMEMORATIVA EM MANAUS


O vereador Arlindo Junior (PROS) está sendo bombardeado por várias pessoas, pois acham uma atitude homofóbica o seu projeto de criação do “Dia do Heterossexual” e da “Marcha do Hétero em Manaus” - isso mostra o quanto o edis barés estão equivocados com relação as suas reais funções.

No meu entender, os vereadores deveriam cumprir as suas funções para as quais foram eleitos pelo povo: discutir as questões locais e fiscalizar o ato do Executivo Municipal (Prefeito) com relação à administração e gastos do orçamento. Eles devem trabalhar em função da melhoria da qualidade de vida da população, elaborando leis, recebendo o povo, atendendo às reivindicações, desempenhando a função de mediador entre os habitantes e o prefeito.

Para os senhores terem uma ideia da aberração que eles comentem, somente no ano passado, foram criados 51 projetos de lei que criam datas comemorativas no Calendário Oficial do Município, a maioria é de aniversários de bairros, conscientização à saúde e dias de profissionais.

Aniversários: Nova Cidade, Lírio do Vale, Compensa e Presidente Vargas (Matinha), Reveillon do Amarelinho (Educandos), além de já constar os bairros Alvorada, Educandos, São Jorge e Vila da Prata, bem como, o Dia da Reorganização do Centro Histórico de Manaus.

Saúde: Semanas de Apoio aos Portadores de Alzheimer e Parkinson; Prevenção da Mulher Contra o Alcoolismo e Novembro Azul – em andamento: Mês de Combate ao Câncer de Próstata. Já constam: Agosto Dourado (aleitamento materno); Dia do Tratamento da Fibromialgia; Dia de Combate à Automedicação; Dia de Combate ao Câncer Bucal; Dia de Combate à Dependência do Crack e Semana de Prevenção a Queimaduras.

Profissões: Dia do Profissional Gráfico; Corretor de Imóveis; Transportador Escolar; Ouvidor e Colunista Social; Semana do Agricultor, Dia do Jornalista Esportivo e Dia da Arquitetura e Urbanismo.

Demais Datas: Festa das Luzes – Chanuká (judaico); Semana Municipal da Agricultura Familiar; Dia da Consciência Humana e a Semana da Família.


Não sou contra essas datas, mas, os vereadores deveriam trabalhar mais na fiscalização do prefeito e nas discussões sobre a cidade.

Caso os nobres vereadores fossem abrir espaços na tribuna da Câmara Municipal de Manaus (CMN) para comentar ou comemorar cada dia ou semana comemorativa criada por eles mesmos, não haveria tempo para discutir as questões locais, e, muito menos, fiscalizar o prefeito. É isso ai.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

COM OS MEUS ÓCULOS "AMARELINHO" VEJO O MUNDO - FOTO ROCHA



Este lugar fica  no "Amarelinho", um praça na beira do rio, no bairro de Educandos, em Manaus - existem alguns bares com as janelas em forma de óculos, tendo como pano de fundo o majestoso Rio Negro. Foto de parelho celular: Rocha

domingo, 5 de abril de 2015

A SUFRAMA CONTINGENCIADA


A Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA é uma autarquia federal, criada por lei, com autonomia administrava e financeira, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comercio – encontrando-se, atualmente, sem poder, pois todos os recursos advindos da cobrança de taxas das indústrias sediadas no Polo Industrial de Manaus estão contingenciados, ou seja, destinados ao governo federal, para pagamento de juros da dívida, ferindo totalmente aos seus objetivos maiores.

A autarquia foi criada para controlar as atividades da Zona Franca de Manaus, tendo como responsabilidade a criação de um modelo de desenvolvimento regional que utilize de forma sustentável os recursos naturais, assegurando viabilidade econômica e melhoria da qualidade de vida das populações locais.

Quando a SUFRAMA tinha essa liberdade, o cargo de Superintendente era disputadíssimo, pois tinha em suas mãos um volume expressivo de recursos financeiros para alocar na Amazônia Ocidental, através de convênios com as prefeituras municipais – chegando a ter um poder que perdia somente para os dos governadores.

A partir de 1999, todas as receitas das Taxas de Serviços Administrativos (TSA) passaram a ser recolhido através da Guia de Recolhimento da União (GRU), indo diretamente para a Conta Única do Tesouro Nacional no Banco Central, ficando retidos no órgão central do Sistema de Programação Financeira do Governo Federal (STN) por meio do SIAFI, sendo utilizado para a amortização da Dívida Pública Mobiliaria Federal.

Por conta dessa estratégia do governo federal, o poder da SUFRAMA ficou esvaziado, acabando com a romaria dos governadores e prefeitos municipais a sede da autarquia, bem como, com a ingerência dos políticos na destinação das verbas.

Segundo estimativa da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), o contingenciamento acumulado é da ordem de três bilhões de reais – recursos tirados da nossa região, onde deveria ser aplicado em ações para desenvolver a infraestrutura e condições sócias do nosso povo, estão sendo canalizado para o poder central em Brasília.

Por conta dessa prática imoral, diversas empresas estão recorrendo a justiça, com o intuito de parar essa sangria – estão ganhando a disputa, com a paralisação do recolhimento das taxas e ressarcimento das parcelas referente aos últimos cinco anos.


A bancada política amazonense em Brasília nada faz em favor do descontingenciamento da SUFRAMA – isso é uma vergonha! É isso ai.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

PONTO FACULTATIVO X FERIADO


Enquanto a grande maioria dos trabalhadores está, ansiosamente, aguardando o feriado religioso de amanhã, outros, que fazem parte de uma minoria, os funcionários públicos (que exercem atividades não essenciais), já estão de folga, pois, hoje, para eles é considerado “ponto facultativo” (sem obrigação de bater o ponto).

No feriado de amanhã, os funcionários ou servidores públicos estão dispensados do trabalho, pois está fixado por lei, com caráter permanente e validade em todo o território brasileiro.

Por outro lado, o ponto facultativo, os servidores públicos estão dispensados mediante ato administrativo (motivado) pela autoridade competente e, fundamenta-se em atender a especificidade de uma situação local, na seria inviável, inoportuno ou ineficaz o funcionamento regular das repartições públicas.

Segundo alguns especialistas, “ponto facultativo não é feriado”, portanto, o trabalhador pode trabalhar normalmente, recebendo apenas o seu salário sem nenhum acréscimo ou compensação, diferente do feriado, na qual o trabalhador deve ser recompensado, com folga em outro dia ou receber em dobro pelo dia trabalhado.

Aquele funcionário público que for escalado para trabalhar hoje (ponto facultativo), não pode compensar com folga, uma vez que está trabalhando em um dia normal.

Muitos empregados do setor privado ficam indignados com esse “direito” dos servidores públicos, ocorre que, enquanto aqueles podem fazer tudo o que não é proibido por lei, estes, somente fazem o que a lei permite.

Segundo alguns juristas, a decretação de ponto facultativo pela Administração não e um benefício concedido aos servidores, pois se trata de uma liberdade da Administração para decidir se seus funcionários devem ou não trabalhar na data.

Por outro lado, parte da sociedade brasileira acha o “ponto facultativo” uma vergonha, pois é um feriado emendado ao outro, com a Câmara Municipal de Manaus, os PAC´s, os postos de saúde e demais repartições públicas fechadas – enquanto os demais trabalhadores devem trabalhar o dia inteiro - ferindo frontalmente ao principio constitucional da isonomia, da igualdade.


No ponto facultativo o sujeito que desejar trabalhar, poderá fazê-lo, mas, ao chegar ao local de trabalho, dará de cara com os portões fechados – a coisa é mesma hilária, pois ir trabalhar ou ficar no deleite, se louco não for, vai escolher a segunda opção. Amanhã tem mais moleza, além do sábado e domingo e, na segunda-feira é dia da preguiça! É isso ai.

Comentário no Facebook:
  • arcelo Sá O servidor público não tem culpa desse tipo de motivação feita pelo governo na qual vc fala no texto. Por outro lado .. Não tem culpa de ter passado no concurso público e desfrutar dessa mamata... Isso ai
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  • Marcelo Sá Você deveria fazer o mesmo.. Ter estudado e passado no concurso público e estaria usufruindo desse benefício.. Como diz o velho Carrapeta: se ouvisse a mamãe eu seria talvez muito mais... É isso ai..
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  • Jose Rocha Marcelo Sá segundo dados do IBGE, o total de funcionários públicos no país, em 2012, chegou a 3,12 milhões, representando apenas 1,6% da população naquele ano. Faço parte dos 98,4% que, apesar de ter estudado muito, não consegui passar em concurso público. Infelizmente, não ouvi a mamãe e, hoje, tive que batalhar e não pude usufruir do "ponto facultativo" dos funcionários públicos. A postagem não é contra essa prática, apenas fiz uma comparação entre o feriado e o ponto facultativo para fins de entendimento, pois muitos pessoas não conseguem assimilar muito bem esse negócio! Abraços

terça-feira, 31 de março de 2015

DESTRUIÇÃO DE ACERVO DA TV CULTURA NA DÉCADA DE OITENTA


Recentemente, fiz uma postagem sobre um causo tendo como personagem principal o violonista Domingos Lima - recebi um comentário sobre o assunto da Heloisa Braga, professora da nossa UFAM, porém, o que mais me chamou a atenção foi a sua indignação sobre o desaparecimento de todo o acervo da extinta TV Educativa do Amazonas, onde foi jogado no lixo todo o material da década de oitenta, presumidamente pelo então presidente Eduardo Brizzi.

Heloisa: “Celito, no seu programa “Clube da Música”, na finada “TV Educativa”, entrevistou o Mestre Domingos Lima. Entre outras belas composições, ele cantou o “Coração Indeciso”. Celito lhe perguntou se era verdadeiro esse sentimento por duas mulheres e o mestre respondeu que sim, que suas composições só tratavam de casos reais. Celito, curioso, quis saber com qual delas ele havia ficado. Ele deu uma risada gostosa e disse: "Com as duas, meu amigo, com as duas". Lembro-me bem de sua expressão matreira. Infelizmente toda a serie de programas, não só do Clube da Música, como todos os outros produzidos na década de 80, quando a TV E era a segunda em produção das TVs Educativas no Brasil, foram criminosamente jogados no lixo por um superintendente irresponsável chamado Eduardo Brizzi. Documentários, programa infantil (A Turma do Tipiti, cuja canção de abertura era do Celito) e outras preciosidades foram descartadas por estarem gravadas em fita. Até hoje tenho uma enorme tristeza quando me lembro disso”.

Sobre esse assunto, existe uma declaração do mais antigo funcionário daquela emissora, o Edson da Silva Tapajós, no Blog “SOS TV Cultura do Amazonas”, edição de 2009:

Blog SOS TVE: Outra história vivenciada por Tapajós diz respeito ao acervo da emissora. Ele conta que após a inauguração da nova TV Cultura, o diretor-presidente Eduardo Brizzi, começou a jogar todo o material em fitas U-matic (sistema de gravação, produção e edição usado na década de 70) no lixo, porém guardou uma parte dele numa laje úmida do prédio onde fica o transmissor da rádio Cultura.

Tapajós: “Eu, o Salgado (Hamilton), o Pedro (Moura) e o Marcos Adolfs resolvemos resgatar esse material que estava lá na rádio Cultura. Passamos um sábado inteiro transportando as fitas numa Kombi. Então, foi possível utilizar as imagens num programa chamado Túnel do Tempo, uma forma de mostrar ao telespectador um pouco da história da nossa TV”, lembra. 

Blog SOS TVE: Nesse material resgatado por estes bravos companheiros e profissionais competentes, estão registradas imagens inesquecíveis que compõem a história do nosso País, do nosso Amazonas e da nossa cultura.De acordo com Tapajós, nestas fitas está imagens da vinda do Papa a Manaus, do movimento Direto Já, da morte de Tancredo Neves e do nosso senador Fábio Lucena, além de registros da TVE-Rio como Pixinguinha, Ataúlfo Alves, Cartola entre outros monstros sagrados da música popular brasileira.

Vamos lembrar um pouco sobre a TVE:

A TVE-AM foi retransmissora da antiga TVE-Brasil - foi criada em 24 de janeiro de 1968, no governo do Dr. Danilo de Matos Areosa - indo somente ao ar em março de 1971, com o prefixo ZYF-245 Canal 2, com o sinal em preto e branco.

Foi extinta em 1993, dando lugar a Fundação Rádio e Televisão Cultural do Amazonas – FUNTEC, passando, em 1995, para TV Cultura do Amazonas – onde permanece até hoje no bairro da Praça 14 de Janeiro.


Infelizmente, decisões equivocadas, como a citada acima, são ainda hoje praticadas pelos administradores públicos, deixando um vazio cada vez maior na memória cultural da nossa cidade e do nosso estado. É isso ai.