sábado, 25 de julho de 2015

AS SERINGUEIRAS DE MANAUS


A colheita do látex para a produção de borracha natural, ocorrido maciçamente nos séculos dezenove e vinte, contribuiu para riqueza de poucos, aumento considerável da arrecadação do Estado do Amazonas e do embelezamento da cidade de Manaus (Paris dos Trópicos), porém, na atualidade, ficou no esquecimento pelas autoridades públicas, tanto que são pouquíssimos os pés plantados da Hévea brasiliense (seringueira).
Em 1830, a população de Manaus era de 3 mil habitantes, aumentando para 50 mil após 50 anos de exploração da seringueira, gerando riquezas, proporcionando a construção do Teatro Amazonas, palácios, palacetes e pontes, além de luz elétrica, bondes, calçadas de pedras de Lioz, praças, ruas e avenidas – gerando também o enriquecimento de poucos (seringalistas, comerciantes e banqueiros).
Apesar disso, a Seringueira ficou relegada a segundo plano pelos prefeitos de Manaus, pois não deram o devido valor e respeito ao quanto ela contribuiu para o desenvolvimento da nossa cidade.

Um lugar que deveria ter sido preservado era o “Seringal Mirim” - ficava no início da Avenida Djalma Batista, era uma belíssima praça, onde existiam cento e vinte seringueiras - o local ficou esquecido e, aos poucos, foram fazendo a derrubada das seringueiras, finalmente, o governo do Amazonas, cedeu o local para a antiga Eletronorte, ao qual derrubou as últimas sobreviventes - o local virou uma subestação de energia.
Conheço apenas dois lugares onde poderemos encontrar seringueiras, em Manaus:

Praça da Matriz – existem alguns pés, acredito que foram plantados no inicio do século passado;

Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro (desativado) – ainda é possível encontrar dez árvores, acredito que elas foram plantadas pelo antigo morador, o governador Eduardo Ribeiro.

Quanto um jovem faz um trabalho escolar sobre a nossa história, principalmente sobre o “ouro branco”, deve achar um absurdo não saber onde encontrar o pé de seringueira em nossa cidade, para tirar fotos.


Isso é um absurdo! Uma total falta de respeito com a nossa Seringueira. É isso ai.

sábado, 18 de julho de 2015

CARAMBA (*)



1. Eu estava visitando um cliente, no conjunto Novo Mundo, bairro da Cidade Nova, no momento em que uma senhora estava afixando um cartaz, anunciando o aluguel de uma casa naquela área. Fiquei interessado e, perguntei:

- Qual eh o valor do aluguel? 
- Apenas quinhentos reais! ela respondeu
- Está barato, eh o preço de uma quitinete! comentei, com surpresa
- E a metade do preço, mesmo assim, esta difícil de alugar, pois existe muito assalto nessa rua e a minha casa já foi arrombada quatro vezes! justificou
Pensei:
- To fora, não quero morar nessa casa nem de graça. Caramba!

2. Num certo bar da cidade, estava passando o JN – o repórter estava comentando sobre um alagamento na Marginal Pinheiros, em São Paulo – um senhor que estava ao meu lado fez o seguinte comentário:
- Esses paulistas “abestados” gostam de colocar nomes de bandidos em suas ruas, tem essa de Marginal Pinheiros e outra chamada de Marginal Tiete!
Falei-lhe:
- Existem aqueles caras que estão a margem da sociedade ou da lei, são os bandidos, por outro lado, existem as marginais, por passarem a margem de rios – nesse caso, são assim chamadas por passarem a margem dos rios Tiete e Pinheiros.
Ele respondeu:
- Caramba!

3. Num restaurante de “beira de rua”, o dono colocou uma placa com os seguintes dizeres: TAMBAQUI ASSADO 100 ESPINHAS. Parei e comprei um “tambaca” – quando fui provar o danado, encontrei um montão de espinhas.

Falei para o caboco:
- Esse peixe esta ate o toco de espinhas!
Ele respondeu:
- E assim mesmo, o meu Tambaqui 100 espinhas eh com “c” e não com “s”, por isso que o preço dele eh mais barato!
Respondi:
- Caramba!

BOLO FORMIGA
Passei numa padaria, lá no meu bairro, fiquei interessado em um bolo esquisito.
Perguntei:
- Como é o nome desse bolo?
A balconista, muito simpática, respondeu:
- É o Bolo Formiga!
- O quê? Eu já vi as formigas darem em cima de bolo, mas, bolo de formiga é a primeira vez! - questionei, na brincadeira
- Não é bolo de formiga, ele é assim chamado, por ter vários pontinhos pretos e, por parecer com elas, passou a ter esse nome! É também conhecido como Bolo Formigueiro. É uma delicia! - respondeu, na maior paciência
- Então, embrulha duas fatias para viagem – respondi
Chegando em casa, a primeira coisa que eu fiz foi deixar um pedacinho do bolo no chão. Um montão de formigas pretas (as doidas) deram com força em cima dele, acho que elas adoraram comer o Bolo Formiga.
Caramba!





(*) Dicionario Informal - Caramba: Interjeição que exprime espanto ou desagrado - sinônimo: caraca, putz, caralho, legal demais, nossa)

quinta-feira, 16 de julho de 2015

CAMINHADA PELO CENTRO DE MANAUS


Hoje, bem cedo da manhã, fiz uma caminhada por lugares que lembram um pouco da minha infância e adolescência: Avenida Eduardo Ribeiro, Praça da Matriz, Praça da Polícia, antigo prédio do Corpo de Bombeiro e Pontes Romanas – onde pude constatar em que estado se encontram esses lugares.

Comecei pela Avenida Ramos Ferreira, onde estão os prédios da Academia de Letras (todo reformado), o antigo Instituto Benjamin Constant (também reformado) e o IEA (estão mudando a pintura externa para azul e branco) – segui pela Praça Antônio Bittencourt (ela está muito bonita, cuidada e vigiada dia e noite) e, entrei na Avenida Eduardo Ribeiro.

Lembrei-me do lançamento do projeto “Cartão Postal”, no governo do Omar Aziz, onde previa a revitalização da Praça do Congresso, Ideal Club, Tribunal de Justiça, recuperação das fachadas das casas até a Rua 24 de Maio, além da implantação de bondes elétricos – os dois últimos ainda não saíram do papel.

Com relação à Avenida Eduardo Ribeiro, o atual prefeito de Manaus, anunciou a sua recuperação total, mas, continua a mesma, sem nenhuma placa indicativa do inicio dos trabalhos, parece-me que falta autorização do IPHAN e a licitação.

O entorno da Igreja Nossa Senhora da Conceição, onde fica a Praça XV de Novembro, os trabalhos de revitalização (ou recuperação) já começaram, pois pude observar um trator derrubando os antigos bancos de cimento, levando a crer que agora é para valer. Assim espero!

Parei na Praça da Polícia, onde li o meu jornal na Rotunda, próximo ao Café do Pina, onde muitos jovens e senhores aposentados gostam de tomar um cafezinho e fumar (infelizmente) cigarros – a praça está sendo vigiada dia e noite, porém, falta um pouco mais de manutenção nos canteiros e no chafariz.

Depois, segui pela Avenida Sete de Setembro, no sentido centro-bairro, onde o antigo prédio do Corpo de Bombeiros está quase para desabar, pois apesar dos tapumes colocados para evitar a depredação, falta manutenção urgente e, acho que não dá mais para esperar pelas verbas do governo federal.

Por estarmos na cheia do Rio Negro, o canal do Igarapé de Manaus está bonito de se ver, com muito verde e peixes (bodó e tamuatá), estando o Parque Jefferson Péres uma beleza - por outro lado, o local onde eu nasci está abandonado (o Parque Desembargador Paulo Jacob).


Valeu a caminhada. É isso ai.

Foto: Rocha

terça-feira, 7 de julho de 2015

10 DE JULHO, DATA DA LIBERTAÇÃO DOS ESCRAVOS NO ESTADO DO AMAZONAS.


O Estado do Amazonas antecipou em quase quatro anos a Lei Áurea, libertando os seus escravos, em 10 de julho de 1884, um feito histórico que sempre foi lembrado e comemorado pelos amazonenses.

A Província (atual Estado) do Amazonas e a Assembleia Provincial (atual Assembleia Legislativa) não possuíam poderes para decretar a libertação dos escravos, mas, podiam incentivar a iniciativa particular.

Em 24 de maio de 1884, o Presidente da Província (Governador), o cearense Theodureto Carlos Farias Souto, efetuou na Praça Dom Pedro II (no Paço da Liberdade), em Manaus, a “Declaração de Igualdade Absoluta”, distribuindo 186 cartas de alforria (liberdade) aos escravos da capital.

A partir daí, houve uma mobilização da sociedade, principalmente das senhoras amazonenses, onde andavam de casa em casa, procurando convencer aos proprietários de escravos a liberta-los ou a negociar por um pequeno valor para atingir a libertação total.

Para tanto, essas senhoras da sociedade promoveram saraus (reuniões festivas), festejos, chás, almoços e jantares, com o fim de arrecadar recursos financeiros para dar suporte ao “Fundo de Emancipação”, criado pela Assembleia Provincial, além do incansável apoio da Maçonaria.

Ás doze horas de 10 de Julho de 1884, na Praça Vinte e Oito de Setembro, o Presidente Theodureto Souto, fez a seguinte declaração: em homenagem à civilização e à Pátria, em nome do povo amazonense, que pela vontade soberana do mesmo povo e em virtude de suas Leis, não existirem mais escravos no território desta Província, de Norte a Sul e de Leste a Oeste, ficando assim abolida a escravidão e proclamada a Igualdade de Direito de todos os seus habitantes”.

No dia 1º de janeiro de 1883, a Vila do Acarape, atual Redenção, emancipou seus escravos há menos de um ano antes da província do Ceará, sendo considerada a primeira Província do Brasil a abolir a escravatura e, a Província do Amazonas, a segunda.

Oficialmente, a libertação total e definitiva dos escravos ocorreu no Brasil, em 13 de Maio de 1888, com a “Lei Áurea”, assinada pela Princesa Isabel (filha de D. Pedro II).

O Governador Theodureto Souto, ao sair do governo, foi homenageado no Rio de Janeiro, pelos amazonenses que lá residiam, com uma caneta de ouro e um tinteiro em cuja base estava escrito: “Ao benemérito abolicionista, Dr. Theodureto Souto, a Província do Amazonas agradecida”.

Ele também foi agraciado com o nome da Rua Theodureto Souto, no centro histórico de Manaus, assim como, da data em que ocorreu a abolição no Amazonas, com a Rua Dez de Julho, ao lado do Teatro Amazonas.

Em 10 de julho de 2015, para lembrar a libertação dos escravos no Amazonas, o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), abrirá as portas do seu casarão, situado na Rua Bernardo Ramos, 117, centro antigo de Manaus – onde haverá a palestra do historiador Antônio Loureiro, com o tema “Os Quilombos do Baixo Amazonas”; a palestra do historiador Geraldo Xavier dos Anjos, com o tema “A Fitolatria das Religiões Afro-Brasileira”; a exposição filatélica sobre a participação do negro na cultura brasileira; e o lançamento da revista do IGHA no. 03/2015.


É isso ai.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

BANHEIRO DE MOTOR


Os barcos regionais, conhecidos pelos caboclos amazonenses, como “Motor de Linha”, levam horas, dias, semanas e até mais de um mês, para chegarem ao destino, levando cargas e passageiros para o interior do nosso imenso Amazonas – além do sufoco na acomodação da terceira classe, onde todos viajam em redes de dormir, existe um fedor horrível nos banheiros da embarcação.

A última vez em viajei de barco foi exatamente para os festejos dos bois na cidade de Parintins, no baixo Rio Amazonas.

Pois bem, fui aconselhado a atar a minha rede bem longe dos banheiros, pois os barcos ficam apinhados de gente, com a viagem durando cerca de quinze horas e, não é nada bom ficar próximo àquela fedentina toda.

Na primeira noite do festival, estava empolgado com a apresentação do meu Boi Caprichoso, quando senti uma tremendo dor na barriga.

Corri até o banheiro do “Bumbódromo”, onde passei um tempão no trono – assim que a situação melhorava, corria para ver o Touro Negro e, quando sentia dor, corria de volta para o banheiro, foi um sufoco total.

Passei a noite toda correndo da rede para o banheiro do motor – pela manhã, dei um pulo no pronto socorro da cidade, onde foi diagnosticado que eu estava com infecção intestinal, fui medicado e aconselhado a ficar “ilhado” no barco.

Contrariando os conselhos dados onde ficar no barco, fui obrigado a atar a minha rede na entrada d o banheiro do motor, pois ficaria mais cômodo e rápido sentar no trono.


Pensem num sufoco total em que passei, pois não podia assistir mais ao festival, por questões obvias, além ficar deitado bem de frente para o crime, estragando o ambiente e sentindo também todo aquele fedor por mais três dias, pois o barco somente iria zarpar na noite seguinte ao termino do festival.

Antes de o barco levantar as ancoras, resolvi cair fora, peguei um táxi rumo ao aeroporto de Parintins, onde peguei um avião e sentei bem próximo ao banheiro da aeronave, pois estava “até o tucupi” de nojo do banheiro do motor! Eu, hein!

quarta-feira, 24 de junho de 2015

FESTA DE SÃO JOÃO




Hoje, 24 de junho, o ponto máximo dos festejos juninos que agitam o nosso Brasil afora, onde algumas regiões ainda mantém forte essa tradição - a nossa cidade, a Manaus sorriso, está deixando um pouco de lado essa manifestação popular - muito diferente da minha geração, onde era forte o festival folclórico, as brincadeiras no terreiro, com danças de quadrilhas, boi bumbá, fogueiras, fogos, aluá, tapioca, mingau de milho e muito quentão, a noite inteira.

Pois bem, hoje, é exatamente o dia em que se comemora o aniversário de São João Batista, um cara considerado festeiro - os camponeses faziam sacrifícios acendendo fogueiras, para afastar os demônios, pestes e estiagens – chegando ao Brasil através dos portugueses e, incorporados aos costumes dos indígenas e, depois, pelos afro-brasileiros.

Segundo a Bíblia, o São João era primo de segundo grau de Jesus - ele ainda estava na barriga da mãe, Isabel, quando esta prometeu à prima, Maria, avisá-la assim que ele nascesse - na noite em que deu à luz São João, ergueu um mastro em frente a sua casa, iluminando-o com uma grande fogueira.

A minha cidade Manaus, onde tive o privilégio de usufruir, de uma forma efetiva, os festivos de São João. Lembro-me muito bem da minha infância e juventude, onde brincava de boi de pano, o “Boi do Valdir Viana”, no Igarapé de Manaus e, na Rua Tapajós, com as Quadrilhas na Roça, o Boizinho de Pano e o Pau de Sebo, comandados pelos mais velhos – Faracho, Manduca, Tatá, Pinagé, Valder, Padrinho Acrísio, Roberto Garantizado, Lacy, Anúbio Caçapa, Madeira e Boanerges.

Tudo isso está acabando, com os festejos ficando restritos somente a alguns bairros mais afastados – para os senhores terem uma ideia, rodei de carro pelo centro, zona centro-sul, zona leste e norte e, não vi nenhuma fogueira acessa!
Tudo passa, mas, essa letra sempre ficará na minha mente:

Tem tanta fogueira
Tem tanto balão
Tem tanta brincadeira
Todo mundo no terreiro faz adivinhação
Meu são João, eu Não.
Meu são João, eu Não.
Eu não tenho alegria
Só porque não vem
Só porque não vem
Quem tanto eu queria
É isso ai

sexta-feira, 19 de junho de 2015

EPITÁFIO (INSCRIÇÃO TUMULAR)


Aos dezenove do mês de junho do ano de dois mil e quinze, uma tremenda sexta-feira, resolvi “molhar o bico” e ouvir uma rock nacional das antigas – a primeira música a tocar na minha TV Smart foi a música “Epitáfio”, da banda “Titãs” – foi o bastante para entrar no túnel do tempo, pois essa canção fez história e me faz lembrar tempos idos.

Eu trabalhava numa empresa que tinha como slogan “O futuro presente em sua casa agora” – ela disponibilizava para os pobres mortais manauaras e turistas, os lançamentos de equipamentos de áudio e vídeo que acabavam de serem lançados nos Estados Unidos.

Certa vez, fiquei encantando com um minúsculo aparelho de som, pois ele substituía o “walkman” (de fita cassete), por um moderno digital, tipo “pendrive”, onde o caboco poderia gravar musicas diretamente do computador e ouvi-las através de um fone de ouvido, com qualidade “espacial”.

Como era louco por lançamentos tecnológicos na área de som/vídeo/imagem e, por trabalhar no processo de importação, fui um dos primeiros a adquirir um deles na empresa em que trabalhava.

Pois bem, num sábado à tardinha, rumei até a Praia da Lua, onde tomei umas e outras e, comecei a ouvir o “Epitáfio”, olhando o Rio Negro, a natureza e o por do sol, foi o bastante para chorar, pois o meu pai estava morrendo.

Aquela cena, a situação e essa música marcaram para sempre a minha vida.

Fiquei a pensar:

Dizem que todos os seres humanos possuem uma missão aqui na Terra, porém, por mais que os esforços sejam dispêndios para tal mister, sempre iremos lamentar por não termos amado mais, não termos chorado mais, não termos visto o sol nascer, não termos arriscado mais e não termos feito o que queria fazer.

Assim como, não termos aceitado como as pessoas são – complicando menos, trabalhado menos, ter visto o sol se por e ter se importado menos.


Penso que é melhor fazer mais e mais, agora, do que se arrepender no final da vida por não ter tentado – o que fica escrito no epitáfio não vale nada! É isso ai.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

VOVÔ MUNDÃO


O Zé Mundão tornou-se vovô, quando a filha do meio fez “carreira solo”, emprenhada do boto (mãe sem marido).
Todavia, ser pai da mãe, ou seja, pai duas vezes foi coisa maravilhosa que sucedeu a ele. Ele não leva nenhum cacoete dos avôs de antigamente, pois pertence àquele grupo de homens de meia idade que pinta os cabelos, faz manicure e pedicuro, toma a famosa “azulzinha” para ajudar na “hora agá”. Faz academia e caminhada, utiliza as parafernálias eletrônicas de ponta e usa as mídias sociais e se veste igualzinho aos filhos mais novos.
Muitos casam ou se amancebam novamente, geralmente, procuram mulheres mais novas e, pasme, ainda fazem filhos.
O vovô foi passear na praça com a família e encontra um velho amigo. Com este inicia o bate-papo:
– E ai Bepi, essa é a tua filha?
 – Não, ela é a minha mulher!
– Desculpe, então, esse curumim ai é teu filho?
– Não, ele é o meu netinho mais novo!
– E essa guriazinha, é também tua netinha?
– Não, ela é minha filha mais nova!
– E você, Mundão?
– Tudo na normalidade, essa aqui é a minha filha e a netinha, estou solteiro novamente, tó na área do gol, se aparecer uma gatinha de bobeira, é pênalti!
– Beleza, Zé Mundão! Qual é sua sensação em ser avô?
– Estou adorando, gosto de pegar pelas mãos da minha netinha, passear nas praças e shoppings, brincar na praia, jogar bola e pedalar bicicleta – voltei a ser menino também!
O tempo passa, o tempo voa, as pessoas passam e envelhecem. Zé também entrou nessa fase, porém, continua na ativa, trabalhando por conta própria, pois estava fora do mercado de trabalho em decorrência da idade. No entanto, não pensava nem um pouco em se aposentar.
Apesar das peripécias que realizou na vida maluca que levou, desde a tenra idade, sempre foi uma pessoa que deu muito duro para colaborar no sustento da família, incluindo os netos. Apesar de gostar imensamente do trabalho, ele sabe que daqui mais uns anos as forças cessarão, e terá que parar de qualquer maneira com a labuta.

Para tanto, começou a fazer visitas ao Asilo Dr. Thomas, para conhecer a futura moradia, pois, apesar de possuir família, tem o desejo de um dia morar junto com outros velhinhos, assim como fez um dia seu pai.

Obs. Trecho de um livro que escrevi, mas, não publicado.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

HISTÓRIA DO BAR CALDEIRA (resumida).


O estabelecimento foi fundado em 1963, por um casal de origem lusitana, com o nome de “Bar Nossa Senhora dos Milagres”, em homenagem a uma santa de madeira que foi encontrada boiando no mar, no século XVI, na Ilha do Corvo, em Açores (Portugal). O boteco ficou famoso, tornando-se um reduto de políticos, empresários, funcionários públicos, poetas, músicos, escritores e trabalhadores do centro de Manaus. Em 14 de Janeiro de 1970 houve uma explosão da caldeira do Hospital da Santa Casa de Misericórdia e, por um milagre, nenhum frequentador foi atingindo pelos destroços. A partir dessa data, o bar passou a ser conhecido em toda Manaus, como Bar Caldeira. Com a aposentadoria dos antigos administradores, a nova administração institui o aniversário do Bar Caldeira, em 14 de Janeiro; contratou músicos e cantores amazonenses para se apresentarem de terça a sábado, ficando o domingo com “a prata da casa” - elaborou também uma vasta programação de eventos durante todo o ano; buscou preservar a “alma” do bar, tornando-o mais atraente e humano; fez a “Calçada da Fama”, com placas homenageando os ilustres cantores que ali passaram: Silvio Caldas, Jairzinho, Vinicius de Moraes, Jamelão e Kátia Maria (a primeira mulher a frequentar o Bar) - alugou também um casarão antigo que fica ao lado Bar Caldeira, dotado de banheiros masculinos e femininos, cozinha certificada onde são preparados tira-gostos e comidas “self service” e espaço climatizado para eventos musicais, culturais e encontros da “velha guarda”. O Bar Caldeira por ter recebido a ilustre visita do cantor, compositor e poeta Vinicius de Moraes, onde deixou um bilhete e várias fotografias para a posterioridade, passou a ser conhecido pelos mais jovens e pelos cariocas que visitam ou moram na cidade de Manaus, como “O Bar do Vinicius de Moraes em Manaus”.
J. Martins Rocha

sexta-feira, 5 de junho de 2015

DIA DO MEIO AMBIENTE


Após a Conferencia de Estocolmo, ocorrida em 1972, ficou estabelecido que no dia 05 de junho de cada ano, como a data para reflexão sobre os problemas ambientais e da importância da preservação dos recursos naturais, considerado tempos atrás como inesgotáveis – para não deixar passar em branco o dia de hoje, farei algumas considerações.

Na minha infância, adolescência e parte da adulta, em Manaus, não ouvia falar em poluição, desmatamentos, efeito estufa, engarrafamentos de carros, esgotos a céu aberto, lixões, camada de ozônio e outras mazelas comuns nos dias atuais.

Lembro-me das águas límpidas e cristalinas dos balneários de Manaus, conhecidos como Ponte da Bolívia, Tarumã e Tarumazinho, Cachoeira Alta, Parque Dez de Novembro e dos banhos no Igarapé de Manaus e Mestre Chico – todos eles ficaram somente na lembrança, pois viraram esgotos ou foram aterrados pelo progresso – ainda bem que a Praia da Ponta Negra foi revitalizada, onde ainda tomo um banho aos domingos em companhia da minha filha e neta.

A cidade do meu passado era calma, tranquila, limpa, com pouca violência urbana – gostava de passear a pé ou de bicicleta na maior tranquilidade, vez ou outra pegava um ônibus, apesar serem de madeira, eram limpos e todos podiam ficar sentados, sem nenhum medo de arrastão, aliás, esse termo eu conhecia naquele tempo como redes de pesca predatória, totalmente diversa dos dias atuais.

Na minha juventude, passei uma temporada no Rio de Janeiro, naquela época, os olhos dos brasileiros e do resto do mundo ainda não estavam voltados para a Amazônia, pois achavam que era apenas um lugar distante, onde possuía muita mata, bichos ferozes, caboclos e índios – fui até discriminado por ter nascido aqui.

Com a realizada da Conferencia do Rio de Janeiro, conhecida como Eco-92, tudo mudou, pois vários países de reuniram para decidir que medidas tomar para conseguir diminuir a degradação ambiental e garantir a existência de outras gerações – a partir de então, começaram a se preocupar com a Amazônia e a respeitar um pouco os amazônidas.


Passados todos esses anos, pouco ou nada foi feito para evitar o que está acontecendo com o nosso meio ambiente – dizem alguns especialistas que, mesmo freando a emissão de gás carbônico, com a diminuição por parte das indústrias e a utilização de combustíveis ecológicos pelos automóveis, despoluição dos rios e igarapés, diminuição do desmatamento da Amazônia, coleta seletiva de lixos e outras medidas corretivas, não dá mais para evitar o desastre que começou a acontecer, com grandes enchentes/secas e temperaturas elevadas. É isso ai.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

SECOS & MOLHADOS


FERIADÃO DE JUNHO

Quinta (feriado católico "Corpus Christis");
Sexta (ponto facultativo);
Sábado (dia de descanso para judeus e cristãos sabatistas) e, 
Domingo (Dia de Sol).

Foto: Praia da Lua - Prefeitura de Manaus



ELES ADORAM

Servidor Público adora um ponto facultativo;
Prefeito adora uma dispensa de licitação, em caso de “emergência ou calamidade pública”;
Politico adora recesso parlamentar, financiamento de campanha y “otras cosita más”;
Prefeito, Governador e Presidente, adora uma reeleição (acho que vai acabar essa mamata);
Eleitor "burro" adora ser enganado pelo politico que elegeu;
Os membros de uma CPI adoram uma pizza;
Professores e servidores da UFAM adoram uma greve;
O presidente Dissica adora a FAF (está no poder mais de vinte anos);
Pastor e Padre adoram uma passar a sacolinha;
Completem a lista (para aqueles que adoram "meter o pau"!). Hehehehe

Heloisa Maria Braga Cardoso da Silva Meu queridissimo Jose Rocha, senti muito que você tenha misturado alhos e bugalhos. Professores da UFAM não adoram uma greve. Ponho essa sua escorregadela na desinformação na conta de seu espirito de brincalhão.
Jose Rocha Professora Heloisa Maria Braga Cardoso da Silva O texto é critico e, também, brincalhão – características da minha personalidade. Quando escrevi, a primeira pessoa em que pensei foi você, pois sabia que não iria gostar nem pouco, pois mexia com a UFAM. A nobre professora adora o seu oficio e, trabalha muito, formando milhares de pessoas para o nosso Estado. Bem sei que, todo trabalhador tem assegurado pela CF/88 e por lei especifica, o direito a greve, um exercício legitimo para a defesa dos seus interesses. No entanto, em 2011, foram 110 dias de paralisação e, em 2012, mais quatro meses! Não esquenta, pois sou formado pela UFAM, adoro a minha Universidade, tenho um enorme carinho pelos professores, servidores e alunos e, apesar de existirem dezenas de faculdades em Manaus, a nossa UFAM é a melhor de todas, apesar das greves! Abraços

OH, QUE PENA!

A pena de cinco anos imputada ao ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, não foi muito “cervera”! Nós, os contribuintes, fomos escalados para “pagar o pato” pelo rombo, embutidos nos últimos aumentos dos combustíveis, em decorrência dos desvios feitos por ele e por outros pilantras.

Ulisses Filho Marques E o que ele roubou será devolvido?
Tomara que sim, bem como a quadrilha, deve ser devolvido tudo que foi roubado.
Jose Rocha Amigo Ulisses Filho Marques esse Ceveró sempre ficou calado, não entregou ninguém, pois sabe muito bem que "merda quando mais se mexe, mais fede"! Pois é, o camarada vai cumprir, talvez um ano de cadeia e, vai ficar doente, passando o resto da pena em casa! É para isso que existem advogados! A grana deve estar dentro de vários colchões e em nome de laranjas, caso tomem o seu apartamento, avaliado em oito milhões, ainda faltam mais de quarenta milhões de DÓLARES! Abraços.

FÁCIL, NÃO?

A Petrobras teve um lucro líquido de 5,3 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2015, em decorrência da queda do preço do barril no mercado internacional, aumento da produção interna, não inclusão dos desvios e, principalmente, pelo aumento do preço da gasolina e do diesel. O Banco do Brasil teve também um lucro líquido de 6,8 bilhões no mesmo período, em decorrência da elevação das taxas de juros e por cobrança de taxas de todo ordem, pagas sem ser conferidas pelos correntistas. Lucro em cima da gente. Fácil, não?

BARCO DO CAPETA

 Conheço um sujeito que tem o apelido de “Capeta”, em decorrência de ter fundado, em sua juventude, uma banda de rock denominada de “Os Capetas”. Tempos depois, tornou-se empresário do ramo da Tecnologia da Informação (TI) – com a grana sobrando, resolveu comprar um barco regional (de madeira) para desfrutara das belezas dos nossos rios. Nos meses de férias, alugava o referido barco para os turistas. Ele prestava assessoria técnica para uma empresa em que eu trabalhava. Certa vez, um colega de trabalho, o Janio Lobo, um evangélico dos bons, resolveu alugar o “Barco do Capeta”, para levar um grupo de pastores que vieram de várias partes do Brasil e dos Estados Unidos. Saíram do Porto de Manaus e foram até o majestoso “Encontro das Águas” do Solimões e Rio Negro. Antes de chegarem, caiu um temporal daqueles, todos ficaram assustados, pois o barco começou a balançar e estalar, quando um pastor norte-americano começou a tremer de medo e gritou: - Esse barco é seguro? Quem é o dono dele? O Janio respondeu: - Pastor, ele pertence ao Capeta! O gringo arregalou os seus olhos azuis, respirou fundo e, gritou: - Jesus Cristo! Depois da tormenta, os evangélicos voltaram sãos e salvos para a cidade, a bordo do Barco do Capeta!

PETISTA ROXO

Tenho um amigo que é petista "roxo", ele é servidor da SUFRAMA e, estava na expectativa da aprovação da MP que equiparava os salários daquela autarquia aos do Ministério da Indústria e Comércio. Com o veto parcial da presidente Dilma, excluindo essa possibilidade, acho que ele está agora "vermelho", mas de raiva! No entanto, estou na torcida pela derrubada do veto no Congresso Nacional ou na edição de uma nova MP corrigindo essa distorção salarial. Dizem os especialistas que, o impacto do reajuste seria de R$ 32 milhões por ano e, caso os eles entrem em greve, as percas serão de R$ 150 milhões por dia!


DIA DAS MÃES

Toda dia é “Dia das Mães” – pena que a Dona Nely não está mais entre nós. Bem cedinho, fiz as minhas orações e, passei todo o dia pensando nela, além das minhas avós (Maria e Lidia) e da minha ex-sogra, a Dona Maria, todas estão também no andar de cima. A mãezinha veio do interior ainda muito jovem – conheceu um nordestino com quem teve uma filha, a Kelva. Depois, casou com o meu pai Rocha, tiveram quatro filhos, Rocha Filho, Graciete, Henrique e eu - tivemos uma boa infância, recebemos todo o carinho e educação por parte da nossa mãe. Os meus filhos ainda hoje se lembram dela, pois ela fazia questão de fazer uma comidinha gostosa para eles todos os finais de semana. Infelizmente, essa doença Diabetes o acometeu severamente - ele sofreu muito, pois teve que amputar uma parte da perna e também ficou cega. Não tenho muito que comemorar hoje, porém, oro todos os dias pensando nela, pois todo dia é dias das mães.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

A BICHARADA DENTRO DO CARRO


O SAPO CURUCU - Existe uma ponte de concreto dentro do Conjunto dos Jornalistas, ela passa pelo Igarapé dos Franceses, ligando dois blocos de apartamentos – ainda tenho um por lá, onde moram a minha filha e a neta. Essa ponte já caiu várias vezes – na primeira vez, demorou muito para a Prefeitura fazer outra e, provisoriamente, foi feita uma de madeira. Certa vez, quando estava atravessando, um pedaço de tábua se desprendeu e fez um rombo no assoalho do meu fusquinha 75. Num certo domingo, estava me dirigindo à casa da minha sogra, no bairro da Glória, quando um sapo-cururu escalou a perna da minha então esposa, que carregava no colo a minha filha mais nova. Foi um “Deus nos Acuda”, pense num sufoco total, pois mesmo ainda em movimento, a mulher abriu a porta do carro e se jogou na rua, juntamente com a minha filha! E pior de tudo: o sapo cururu não queria sair de lá, nem com nojo! Esse medo de sapo por parte da patroa foi passado para a minha filha e, por tabela, para a minha neta – ela tem cinco anos e gosta de remexer a minha mochila, mas quando falo que lá dentro tem um sapo-cururu, ela para na hora!

A GALINHA VOADORA – Conheci uns corretores de seguro que mantinham uma apólice com uma empresa em que trabalhei tempos atrás. Certa vez, eles pegaram a Estrada AM-070 (Manaus-Manacapuru), para fazer uma vistoria num sinistro. Pois bem, no meio da estrada, eles foram surpreendidos com o baque no para-brisa de uma galinha, ela tinha pulado de um barranco bem alto. O estrago foi grande, pois além de quebrar o vidro, bateu na porta traseira, conseguindo abri-la, indo parar quilômetros atrás! O perito que vinha no banco de trás do carro não morreu por puro milagre, pois o galináceo passou rente a sua cabeça. Um objeto de dois quilos e meio quando bate num automóvel que se desloca com oitenta km por hora, pesa mais de uma tonelada! Credo!

ACARI-BODÓ – Tenho um amigo, ele é aposentado da Defensoria Pública – certa dia, resolveu passar lá na Feira da Panair, para comprar alguns bodós, farinha de aurini, limões, cheiro verde, tomates e pimenta de cheiro, pois estava a fim de matar a saudade de uma “Caldeirada de Bodó”. Na volta, resolveu parar lá no antigo Bar Caldeira, para bebericar e jogar conversa fora com os intelectuais. Papo vem, papo vai e, acabou esquecendo os bodós que estavam na mala do carro. Para quem não sabe, os cascudos devem ser consumidos imediatamente após a morte, devido ao rápido processo de deterioração e ao odor insuportável que provoca. Depois de dois dias, ele resolveu sair com o carro, quando sentiu o estrago feito – para ter uma ideia, até os pneus fediam – lavou, escovou, passou aromatizante e, nada! Passou um mês sentindo fedor de acari-bodo podre!   


OS CARNEIRINHOS         – Tenho um amigo, ele é Despachante Aduaneiro e, gosta de frequentar os botecos de Manaus. Certa vez, foi tomar uns goles num bairro distante (ainda não existia a lei seca), ele tinha mania de comprar tudo o que lhe ofereciam em mesa bar. Apareceu um sujeito vendendo dois carneirinhos e, resolveu comprá-los para presentear a sua esposa (que presentão!). Depois de ficar de “saco cheio” de tanto os carneiros fazerem “mé”, colocou os animais dentro do carro e rumou para a sua mansão. Colocou o som no volume máximo, mas o “mé” dos carneirinhos ganhava. Soltou os bichos no jardim e foi dormir, digo, tentou dormir, pois bichos passaram o resto da noite fazendo “mé”, deixando acordado também a sua mulher, os filhos e até a empregada! A mulher deu-lhe o ultimato: - Ficou doido, homem! Pode levar de volta esses carneirinhos, agora mesmo, ou vou passar uns dias na casa da mamãe! Ele passou toda a manhã à procura do vendedor, ao qual devolveu os carneirinhos e não quis nem saber do dinheiro de volta!

É isso ai.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

AS FURADAS DO ZÉ MUNDÃO


As coisas mudaram para o Zé, ao sair da adolescência, quando surgiram os bailes em clubes, as piscinas artificiais e os shows de artistas locais e de outras plagas. Imaginem um caboclo surubim, ou seja, liso, mas cheio de pinta! Era o próprio Zé Mundão! Trabalhava muito, ganhava uma merreca no emprego e um monte de contas para pagar. Não tinha escapatória, o negócio era furar (entrar sem pagar) nos clubes para se divertir.

O Zé, apesar de ser torcedor do Fast Clube, gostava de frequentar o Atlético Rio Negro Clube, mesmo não sendo sócio dependente, porém, adorava nadar na piscina. Às vezes, misturava-se entre os só- cios e entrava pelo portão principal. Quando era barrado pelo porteiro, a única solução para entrar era escalar as árvores laterais e, assim, entrar no clube na maior caradura.

Outra vez, ao pular do mais alto do trampolim, Zé deu um impulso, tentou saltar de cabeça, mas caiu de barriga na piscina. Além da dor, sofreu a gozação dos sócios! Ficou com tanta vergonha, que não voltou mais a frequentar aquele lugar!

O clube de coração era o Nacional Fast Clube, conhecido como Rolo Compressor, nele, tinha grande admiração pelos jogadores, principalmente dos irmãos Piola.

 Para assistir aos jogos, dava uma “pernada” até o Parque Amazonense, na Vila Municipal; sem grana para comprar o ingresso, a solução era subir em árvores existentes ao redor do estádio ou partir para “furar” (a estratégia era aguardar o início da execução do Hino Nacional, quando os guardas ficavam em posição de sentido, para pular o muro).

Quando foi inaugurado o Estádio Vivaldo Lima, conhecido carinhosamente como Tartarugão, não tinha brecha para ele entrar sem pagar, o único jeito era comprar o ingresso mais barato, para a geral. Daí, pular para a arquibancada, onde podia assistir com mais comodidade a partida de futebol.

Num jogo de casa cheia, estavam em campo o Rio Negro e o Nacional, os times com mais títulos no Amazonas. Para esse jogo, o Zé pegou corda de seu colega, o Rogério português, nacionalino doente.

 A partida estava empatada em 2x2, placar que beneficiava o Barriga Preta (como era conhecido o Rio Negro), então, eles escalaram a parte detrás do placar (que era manual) e, num descuido da pessoa responsável, alteraram o jogo para 3x2 em favor do Leão da Vila (o Nacional).

Foi um alvoroço geral nas torcidas e no campo de futebol, com aplausos, vaias e xingamentos de todos os lados. Os guardas da PM foram até o local para averiguar o autor daquilo, quando, então, foram informados de que alguém da torcida do Leão tinha feito a alteração.


Os dois, com medo e arrependidos do que fizeram, correram em disparada para o portão de saída. Depois dessa, deram um bom tempo sem irem ao Vivaldão. 

segunda-feira, 18 de maio de 2015

O BATIZADO


Dormi muito na Praça da Igreja de Manacapuru, perdi as contas, certa vez amanheci dentro de um fusquinha, fui acordado por uma cabocla com um filhinho no colo, abri o vidro, ainda estava sonolento e dando aquele bafo de onça, ela me falou que era uma mãe solteira, da vida, porém, queria tornar o seu filho um cristão, pediu para eu ir até a Secretaria da Igreja e falar para o padre que eu era o pai da criança, pois somente assim ela poderia batizar o seu filho, ela chorava, o menino também, apesar da minha negativa, ela insistia.

O meu coração é mole e, sem contar as consequências, aceitei fazer a encenação – cheguei à igreja, despenteado, a roupa toda suja da farra do dia anterior, os olhos de ressaca, dando aquela dose de mil no padre, ele me ouviu pacientemente, mas não entrou no meu papo fajuto.

Com a negativa do padre, a mulher começou a chorar, o menino também, fiquei todo desconcertado, ainda tive que pegar uns quinze minutos de sermão do padre, para completar, para a remissão dos meus pecados, o padre me mandou rezar uns cem “Pais Nosso” e umas duzentas “Aves Maria”.

Apesar de tudo, o padre entendeu a minha intenção, pois eu queria somente ajudar - já pensou no buraco em que eu iria me meter, poderia começar a pagar pensão alimentícia ainda muito novo, fui muito inocente.


Mas, valeu, ele aceitou batizar o curumim no domingo seguinte.

Ela ficou muito agradecida pelo meu gesto e me convidou para ser o padrinho, agradeci gentilmente o convite, falei que não era daquela cidade e que iria viajar para outro Estado, tirei pela tangente, chega de rolo pro meu lado. Eu, hein!

domingo, 10 de maio de 2015

O EMPRESÁRIO PILANTRA



Trabalhei numa grande empresa de revenda de eletroeletrônicos, situada na Rua Marechal Deodoro, centro de Manaus - certo dia, apareceu por lá um grande empresário de Manacapuru, ele fez uma enorme compra de camas, colchões, criados-mudos, ventiladores, ar condicionados, geladeiras tipo frigobar, abajures, espelhos e televisores – imaginem o que ele iria montar, é isso mesmo, um Motel em Manacá – o empresário ganhou um bom desconto e ainda foi brindado com um financiamento para pagar em doze suaves duplicatas.

Ele ficou empolgando e caído pela vendedora que o atendeu e, como forma de agradecimento, convidou toda a galera da loja para a inauguração do “Hotel” disfarçado, pois um motel nunca fora bem visto pelo pároco e pelos mais velhos moradores do interior.

Segundo ele, seria servido um jantar especial: – Guisado de Tracajá, Sarapatel e Pirarucu no leite da castanha da Amazônia, além de algumas caixas de cerveja - tudo seria por sua conta.

Num sábado, uma turma viajou cedo da manhã, enquanto outra seguiu após o expediente - desde as duas da tarde que o “mé” rolava solto, depois, chegaram uns caboclos da região, se enturmaram e começaram a derrubar as ampolas, encheram a cara, foram embora sem pagar nenhuma, tudo bem, não tinha problema, pois tudo era “zero oitocentos”.

Notei que o empresário estava afim da vendedora gostosona, mas ela não dava a mínima para o sujeito – ela começou a amostrar as asinhas para o meu lado, naquela época eu não dispensava nada, pegava até gripe.

O velho ficou impaciente, serviu o jantar com uma cara feia e, no final fez as contas e detonou:

- O “Traca” e o “Piraca” é por minha conta, porém, as bebidas vocês devem pagar.

Tomei um puto do susto, quase que vomitava o bicho de casco na hora, peguei um pouco de folego e falei:

- O senhor falou lá Manaus que tudo era por sua conta!

Ele respondeu na maior cara de pau:

 - O jantar, meu filho, aqui é um comércio, quem é que vai dar bebidas de graça por ai, talvez em casamentos ou aniversários, não é o caso por aqui, quero agora a “babita” aqui na minha mão!

E agora, José? O bicho pegou!

Fizemos a cota, quase deixa a negada na lisura, ainda bem que era final de mês, tínhamos recebido a nosso salário. Deu para pagar a conta, depois, fomos para o Clube do Flamengo, curtimos uns embalos de sábado à noite.

Não engoli direito aquilo, foi uma pura sacanagem do velho, ele tinha um sotaque diferente, não era filho de Manacapuru, pois o povo de lá é gente boa.

Propus fazermos outra conta no domingo de manhã, primeiro, compramos as passagens de ônibus, deixamos toda arrumada as nossas bagagens, o lance era beber e comer até minutos antes da saída do ônibus e “sair à francesa” -, deu tudo certo.

Na terça-feira, bem cedinho, o velho apareceu para cobrar a conta, todos foram chamados a falas pelo Gerente Geral - até explicar que “nariz de porco não servia para tomada”, pegamos uma baita chamada “no saco”, ainda tivemos que fazer um vale no financeiro para pagar a conta - o pior, o velho multiplicou a conta por dez, jurou de pés junto que nos consumimos tudo aquilo, somente para sacanear de novo.

O problema era a vendedora que deu um fora no malandro, inclusive, ele fez cena e ainda queria cancelar parte das compras, somente não foi efetivada, pois na última hora a coitada aceitou jantar com ele.


Outro detalhe: as doze duplicatas foram pagas somente com a pressão do advogado da empresa - nas minhas andanças por Manacapuru, evitava passar pela frente do Motel daquele empresário pilantra. É isso ai.