sexta-feira, 18 de abril de 2014

A MALHAÇÃO DE JUDAS


A tradição de “malhar Judas” vem de muitos tempos atrás, uma herança da colonização portuguesa, representando o julgamento popular contra o Judas Iscariotes, o Apóstolo que traiu Jesus, em troca de dinheiro. Em decorrência do crescimento populacional, com o distanciamento das pessoas, essa e outras tradições vão aos poucos desaparecendo em nossa cidade – gosto dessa manifestação desde a minha infância e, para não deixar morrê-la, irei reviver em minha imaginação, malhando o Judas “Sugismundo”.

Na minha infância da Rua Igarapé de Manaus, o sábado era especial e às vezes temido, pois quando aprontava na Semana Santa, pegava a minha merecida surra dos meus pais somente nesse dia, por outro lado, era o dia de malhar os políticos e os vizinhos ranzinzas, com direito a leitura do “Testamento do Judas” - o que ocasiona sempre gozações e desavenças por parte daqueles que eram homenageados nesse dia.

Certa vez, participei da malhação de um Judas que estava de sandálias tipo havaiana, quando pegou fogo, parte dela colou no meu pé - sai em disparada pela rua, gritando de dor – todos achavam que eu estava tirando onda e não me ajudaram, passei maus momentos naquele dia.

Lembro do último Judas em que tive a oportunidade de confeccioná-lo, contando com a colaboração de vários colegas da “Ladeira da Rua Tapajós”, no centro da cidade – chamava-se “Pedrão”, uma homenagem a um morador da nossa rua - iniciamos pela parte da tarde e, conseguimos terminá-lo somente depois da meia-noite, quando foi amarrado num poste – cedo da manhã a galera pulou da cama e, ao chegarmos ao local, surpresa geral: tinham roubado o nosso Judas!

Falaram que foi o Felipe Viriato, um morador da Avenida Getúlio Vargas, todos correram para lá e, o encontramos pendurado em frente à Mercearia Aroeira – estava todo detonado, por lá ficou, mas, até hoje ele me pede desculpas pelo ocorrido.

Todo o ano gostava de andar pela cidade, registrando esse evento, mas, com o tempo foi acabando a tradição, sendo muito raro encontrar Judas pendurando nos postes – passei, então, a frequentar o Bar Cipriano, onde existia uma confraria que se cotizava para a confecção de vários bonecos, todos satirizando os políticos – no ano passado estive lá e, para minha surpresa, o Braga tinha deixando de coordenar os trabalhos – deixaram morrer a tradição, infelizmente.

Não sei se esse ano eles irão retomar a tradição, em todo caso, irei conversar com o meu amigo Rogério Português (um dos coordenadores), caso positivo, irei até lá para tirar fotografias e publicar no nosso blog.

Hoje, caso eu tivesse meios para poder confeccionar um Judas, o homenageado seria aquele cidadão que suja as ruas, um personagem de uma campanha publicitária levado ao ar faz algum tempo atrás “O Sujismundo” – seria uma forma de malhar essas pessoas que na maior cara dura, jogam nas ruas garrafas pet, copos plásticos, paus de picolés, papeis, restos de alimentos e tudo o mais, deixando a cidade feia, suja, com uma aparência de um povo mal educado, sem respeito ao próximo, ao meio ambiente, ao Rio Negro que recebe toda essa carga e, a novas gerações.

Não quero ser melhor do que ninguém, mas, sempre me policiei com relação ao lixo, ao cuidado com a minha cidade, com o meio ambiente – sou capaz de ficar horas com uma garrafinha de água na mão, para somente descartá-la na lixeira, pois não jogo de forma alguma na rua.


Eduquei os meus filhos a não jogarem lixo nas ruas e, eles estão agora educando os seus filhos a respeitarem a cidade. Semana passada, fiquei a observar um grupo de jovens que saíam de um colégio público, eles simplesmente jogaram latinhas de refrigerantes no meio rua e, davam gargalhadas daquilo – esses moleques não recebem uma educação adequada em casa e na escola, eles e outros que sujam a nossa cidade são os "Judas Sugismundo" do "Sábado de Aleluia". É isso ai. 

quinta-feira, 17 de abril de 2014

MINHA CONTRIBUIÇÃO PARA OS ESTUDANTES DA FACULDADE FMU DE SÃO PAULO


Ao publicar a seguinte postagem:
                          
Recebi o e-mail do leitor Erick:


Boa Noite José Martins,

Meu nome é Erick e estou cursando o curso de produção em audiovisual na faculdade FMU de SP.

Meu grupo e eu estamos fazendo um trabalho sobre horta vertical e gostaríamos de saber se podemos fazer uma entrevista com você? Temos algumas perguntas que podemos enviar e você responder para nós ou se possível fazermos uma entrevista por skype.

No aguardo por uma resposta e desde já agradeço a atenção.

1-   O que é a horta vertical e de onde surgiu a ideia de fazer horta vertical?

R – Tradicionalmente, as hortas são feitas em propriedades onde existem terras suficientes, no entanto, com o crescimento das cidades, essas áreas vão dando lugar aos conjuntos habitacionais, novos bairros, edifícios e área comercial, levando o produtor a procurar lugares cada vez mais afastados.

Os pequenos produtores vão sumindo com o tempo, pois perdem lugar para os grandes, que detém o capital, o conhecimento e abastecem as centrais de abastecimento e supermercados, no entanto, para aumentar a produtividade e combater as pragas que atacam as lavouras, utilizam insumos que são prejudiciais ao ser humano.

 Em decorrência disso, as pessoas que moram em lugares reduzidos, por exemplo, em apartamentos e, que possuem uma consciência ambiental, aliada ao desejo de consumir produtos sadios, livres de agrotóxicos, tem optado cada vez mais em construir hortas verticais em sua própria residência, aproveitando ao máximo os espaços. Somos sabedores que as garrafas PET Levam 400 anos para se degradarem e, sendo utilizadas em hortas verticais, será evitado, em parte, ir para os lixões e poluição dos igarapés e rios. 

A horta vertical é feita utilizando essas garrafas, amarradas com cordas de nylon, aproveitando ao máximo o espaço das residências, dando uma parcela de contribuição ao planeta Terra, reduzindo a poluição, bem como, ter a qualquer momento um produto orgânico em sua mesa, além de servir como uma terapia, diminuindo o estresse.

2– Quais as principais vantagens e desvantagens da horta vertical? Em comparação a hortas de grande escala?
R – Vantagens:
1.  É uma parcela de contribuição do cidadão para o meio ambiente, pois uma garrafa PET leva 400 anos para se degradar, evitando o acumulo de lixões e poluições ainda maiores dos nossos igarapés, onde todos despejam diariamente toneladas de lixos no Rio Negro (onde volta para os nossos lares através da água encanada);
 2.  Economia na compra de hortaliças, legumes e verduras, pois produz o ano todo e, está ali na parede da sua casa;
 3. Saúde para todos da família – a grande maioria dos alimentos agrícolas contém agrotóxica (prejudiciais à saúde) e, os produzidos em sua casa são orgânicos;
 4. Ao fazer a horta, plantar e colher - proporciona uma paz de espírito muito grande, diminuindo o estresse, evitando a depressão e outras doenças da mente.
Desvantagens:
1.   Exige esforço e dedicação constante, pois são pequenos seres vivos que necessitam de cuidados diários, igualzinho a uma criança – hoje em dia com a vida atribulada e estresse, muitos desistem na primeira tentativa;
2.   A produção é reduzida, não atendendo a uma família numerosa, pois necessitaria de mais espaço;
3.   Toma espaço na área de serviço, prejudicando a secagem ao Sol das roupas lavadas em máquinas;
4.   Não está imune a doenças e pragas, exigindo compra de produtos de combate, além de adubos, terra preparada, etc.

2-   Como funciona o seu projeto de horta vertical?

1. Sementes: comprar pacotinhos nas casas que vendem produtos agrícolas. As minhas adquiri em uma loja que fica ao lado da Feira da Banana (na Manaus Moderna) – chicória, cebolinha, coentro e couve. As da marca Isla Park do Rio Grande do Sul,  são originais e sem defensivos;
 2.Terra: encontrado nas casas que vendem mudas de plantas – o saco contém 25 quilos e a grande maioria vem preparada, ou seja, contém NPK e calcário, ao preço de sete a dez reais. Misturei com cinco quilos de esterco curtido - esse material é suficiente para seis ou mais fileiras verticais com quatro garrafas cada;
 3.  Fileiras: pode ser de duas a seis garrafas – fiz de quatro, com dois metros de altura, com trinta centímetros entre uma garrafa e outra;
 4.  Outros materiais:  dois parafusos com gancho e buchas de 10” – cabo plástico de amarrar roupas (dez metros) – oito tampinhas plásticas de garrafa PET – luvas, estilete e uma pá de jardinagem;
Como fazer:
 1. Cortar com o estilete a parte central da garrafa (de dois litros), no tamanho de 14 cm horizontal por 9 cm na vertical;
 2. Fazer furos nos dois lados, próximos ao gargalo e ao fundo, para passar o fio – abrir também três furos por onde vai escorrer a água em excesso – as oito tampinhas devem conter um furo bem no centro;
 3. Montagem: com a furadeira fazer dois furos para colocar as buchas e os parafusos - começar de baixo para cima, colocando duas tampinhas para cada garrafa, com um nó no fio para segurar as garrafas – deixar um espaço de trinta centímetros entre as garrafas - amarrar os dois lados dos fios nos parafusos;
 4. Colocar terra até a tampa, fazer pequenos buracos com os dedos e colocar as sementes – regar uma vez de manhã ou a tarde;
 5. Entre sete a vinte dias começarão a brotar, deixar crescer e consumir um alimento bom e de qualidade.
4 – Como você começou com essa iniciativa?
R. Fui morar num novo apartamento e, senti a necessidade de ter uma atividade ambiental nele, pois tinha tempo, paciência, recursos e um grande amor pelo verde, pois nasci e sempre vivi na Amazônia – comecei a plantar em vasos e, como já tinha feito um curso, por correspondência, de agricultura orgânica, pelo Centro de Produções Técnicas (CPT) da INCAPER (Viçosa/MG), comecei a plantar tomates em vasos, ficando o espaço pequeno, quando pesquisando no YouTube, resolvi fazer uma horta vertical.
5 – Há algum cuidado especial que se deva ter com os alimentos para evitar possíveis doenças transmissíveis por esses alimentos, já que o cultivo não é feito por profissionais?
R – Toda horta vertical feita em casa deve ser totalmente orgânica, ou seja, comprar sementes com selo verde, adquirir terra preparada e de boa procedência, não utilizar de forma alguma de produtos agrotóxicos, dessa forma, teremos na nossa mesa um produto sem doenças. 
6- O que o cultivo da horta vertical mudou em sua vida?
R – Mudou muito, pois ao acompanhar todos os estágios das plantas, adquiri mais conhecimentos sobre a sua fisiologia, além de começar a respeitá-las ainda mais, pois são seres vivos. Preenche o meu tempo ocioso. Outra coisa: motivei muitas pessoas a fazerem o mesmo, pois com a publicação no meu blog www.jmartinsrocha.blogspot.com  a minha horta vertical ficou famosa, inclusive foi a responsável em estar respondendo a esses questionamentos por parte de vocês.
7 – Existe alguma restrição de lugar ou cuidado que temos que tomar antes de plantar e o que pode ser cultivado em uma horta vertical?
R – Em qualquer lugar externo da casa ou apartamento em que receba diretamente a luz do Sol, pode-se fazer uma horta vertical, pois dará um novo ambiente no lar, sobrando elogios quando as pessoas o visitam. Como ficarão fortemente amarradas por buchas, parafusos e linhas de nylon, pode ficar até nas sacadas dos apartamentos. Tem de ter cuidado em plantar somente aquelas que crescem muito pouco, por exemplo: salsinha, chicória e cebolinha.
8 – O processo de cuidado e de plantação é similar ao que temos nas plantações tradicionais ?
R – Não tenho experiência em plantações tradicionais, mas, acredito que o processo é o mesmo. Na horta vertical, tudo é feito em menor escala.
9-Qual a influência da horta vertical na sua alimentação diária? Ou seja, o quanto do que você come, você cultiva? 
R – Sem dúvida, foi a confiança que estava consumido um produto de qualidade, sem doenças e, principalmente, sem agrotóxicos. Por ter um espaço bem reduzido, a produção não é suficiente para o meu consumo, tenho que comprar uma parte na feira. 
10-Considerando que hoje em dia as pessoas mal tem tempo para se alimentar bem, você acredita que a horta vertical seja uma solução viável para substituir o imediatismo de consumo por alimentação "rápida" ? 
R – Não, de forma alguma! As pessoas têm que trabalhar, estudar, cuidar da saúde e do lazer, tudo é rápido e corrido e, a alimentação “rápida” é a solução, infelizmente! Agora, nos finais de semana ou quando a pessoa é aposentada, a horta vertical contribui em parte para uma alimentação mais saudável.
11-Quais os cuidados a se ter ao criar uma horta em casa?
R- Todo cuidado é pouco! Ela atrai insetos, formigas e doenças para as plantinhas. Todo dia deve-se fazer uma vistoria e, regar, colocar adubos, terras, colher, retirar os excessos, etc.

12-Você considera que esta seja uma atitude sustentável? Por quê?

R – Sim. Pelos menos algumas garrafas PET não foram para os lixões, contribui um pouco com o meio ambiente, pois deixei de poluí-lo um pouco, além de  mostrar para as pessoas que existem outras formas de ter um alimento em sua mesa, sem agrotóxicos, além de ser prazeroso e de ter diminuindo um pouco a minha ansiedade e estresse do dia-a-dia, graças a minha HORTA VERTICAL! É isso ai. 

ARTISTAS AMAZONENSES

 
Esse painel ficava exposto na entrada do Restaurante Allegro, na Praça de Alimentação do Amazonas Shopping, a assinatura do autor está na parte inferior direita (não deu para decifrar o nome).


Nele aparecem da direita para a esquerda:

Célio Cruz, cantor e compositor, com um violão nas costas;
Lucinha Cabral, cantora, a nossa caboquinha da pátria amada e farinha;
Zezinho do Carrapicho, cantor, dançando os dois prá lá e dois prá dos Bois de Parintins;
Thiago de Melo, o nosso poeta maior;
Pereira, cantor, viajando pelas estrelas em cima de um violão;
Eliana Printes, a cantora amazonense que faz sucesso no Rio de Janeiro;
Chico da Silva, cantor e compositor, saindo da boca de um violão;
Moacir de Andrade, artista plástico, pintando as belezas da nossa Amazônia;
Mário Ypiranga, escritor e professor, devorando dezenas de livros;
David Assayag, levantador de Toadas dos Bois de Parintins;
Arlindo Júnior, apresentador do Boi Caprichoso;
Cileno, cantor e compositor, saindo de uma tulipa de chope;
Antônio Pizzonia, automobilista, comemorando mais uma vitória;
Aníbal Beça, poeta e compositor, devorando uma macarronada;
Felicidade Suzy, cantora, com um chapéu verde.

sábado, 12 de abril de 2014

CENTRO COMERCIAL DO NORTE – MANAUS SHOPPING CENTER

Neste local funcionava o “Cine Odeon”, construído em 1913 e demolido em 1973, para dar lugar ao primeiro centro de compras de Manaus, conhecido como “Shopping Center”, na Avenida Eduardo Ribeiro esquina com a Rua Saldanha Marinho.

A construção, incorporação e vendas ficaram a cargo da “Construtora Adolpho Lindenberg S.A. (CAL)”, situada a Rua Floriano Peixoto, 218 1º. Andar, centro antigo de Manaus.

Era o progresso chegando a nossa cidade, com a destruição de estabelecimentos do início do século passado, para darem lugar aos espigões, o mesmo foi feito para construir o edifício Cidade de Manaus.

Este empreendimento foi iniciado em 1974 e terminado em 1976, com 20 andares, com lojas nos primeiros andares, de 26 a 157 metros quadrados, com escadas rolantes e ar condicionado central.

Os escritórios eram de 35 a 60 metros quadrados, dotados de modernos elevadores e muitas comodidades, com vista para o Rio Negro.

Tinha uma arquitetura avançada para a época, com pontos para telefones nas lojas e escritórios, dotados de “brise soleil” (francês = quebra sol), caixilhos de alumínio e vidros em cristal temperado “fumér”.

A entrega foi em 24 meses, com pagamento em dois anos, preço fixo, sem reajustes e sem correção monetária.


É isso ai.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

BLOGDOROCHA: PATRÍCIA MENDES DO BOI CAPRICHOSO

BLOGDOROCHA: PATRÍCIA MENDES DO BOI CAPRICHOSO: O povo brasileiro é um gozador por natureza e, sempre nas eleições, procura lançar o seu próprio candidato, geralmente é uma “figura”, o a...

quinta-feira, 10 de abril de 2014

BLOGDOROCHA: GOVERNADOR ÁLVARO BOTELHO MAIA

BLOGDOROCHA: GOVERNADOR ÁLVARO BOTELHO MAIA: Álvaro Botelho Maia nasceu em 19 de fevereiro de 1893, no seringal “Goiabal”, rio Madeira, município de Humaitá, primogênito de Fausto...

quarta-feira, 9 de abril de 2014

CASA ANTIGA DA RUA LEOVEGILDO COÊLHO



O meu amigo Alberto Silva, Analista de Sistemas da  FUCAPI, passou-me o seguinte pedido:


· 



Jose Rocha, Você que é um historiador amador e comedor de Jaraqui com farinha...Qual é a historia dessa residência da Manaus antiga, dono, família etc e tal?

Respondi:
Tirei várias fotografias dessa casa, mas, nada conheço sobre a sua história.

Aos amigos leitores do  blog:
Caso alguém conheça a história dessa casa, favor enviar informações para o e-mail jmsblogdorocha@gmail.com  - ela fica na Rua Leovegildo Coêlho, centro antigo de Manaus.
Grato

Foto: Alberto Silva

terça-feira, 8 de abril de 2014

SECOS & MOLHADOS


PRESIDENTE PALINHA - O Palinha é um antigo servidor da Manaus Energia, ele sempre foi ligado ao Partido dos Trabalhadores, tanto que a sua camisa preferida do dia-a-dia é da cor vermelha – militou durante anos no sindicalismo, foi por um  bom período, o Presidente do Sindicato dos Urbanitários do Amazonas. Certa vez, foi convidado pela Federação Nacional dos Urbanitários, para um encontro em Brasília, onde todos os representantes dos Estados iriam ratificar o Acordo Trabalhista da categoria. Chegando lá, o companheiro Palinha era o único vestido de paletó e gravata, porém, no auditório em que estavam reunidos, existia uma imensa mesa onde todos eles deveriam estar sentados para assinar tal documento. O Palinha ficou de pé, pois não havia cadeiras suficientes – pacientemente, esperou todos se levantarem e, foi o último a colocar a sua rubrica, nesse momento, um repórter e um fotógrafo de um jornal de grande circulação nacional, registra aquele momento solene e, saiu na manchete no dia seguinte: “Presidente da Eletrobrás assina o Acordo Coletivo”, aparecendo a fotografia do nosso Palinha como fosse o tal executivo da estatal. Ele foi herói nacional da categoria e, onde passava, todos batiam nas suas costas e falavam na gozação: “Parabéns, Presidente Palinha!

PALPITE BARÉ – Pois é, acho que o vice do Melo (Pros) será a Rebeca Garcia (PP), aliás, ela estava sendo preparada e foi colocada em evidência no governo do Omar Aziz (PSD) para fazer parte nesse jogo político. Como é certa a eleição do Omar para o Senado, a sua esposa, a Nejmi Aziz (PSD) disputará a eleição para Deputada Federal, pois os dois estarão juntos em Brasília. O moço Hissa Abrahim (PPS) pensa bem alto e, poderá compor com o Eduardo Braga (PMDB) para o governo do Estado. O Melo e o Omar ficarão alinhados com a Presidente Dilma (PT) – para a liberação de verbas para o Amazonas - todos estarão no mesmo palanque e, ela estará também no tablado do Braga. Pode? O Arthur Neto (PSDB) caminhará abraçado, em Manaus, com o Melo e o Omar e, fará de tudo para o insucesso do seu arqui-inimigo, o Braga. O Amazonino Mendes (PDT) será o mais votado para Deputado Estadual e, será o Presidente da Assembléia Legislativa, dando todo o apoio aos projetos do Melo. Daqui a quatro anos, o Melo não poderá concorrer a mais quatro anos, quando entra em campo o Arthur para governador. Tudo é apenas um palpite Baré!

COM A FACA E O QUEIJO NA MÃO – No dia 4 do corrente, foi a posse do Governador José Melo, um caboclo das barrancas do município de Eurinepé, de onde veio ainda criança com os irmãos e os pais, na terceira classe de um barco com destino a Manaus – ralou muito, mas, chegou ao posto máximo da administração pública estadual. Era do PMDB, onde foi humilhado e colocado para escanteio pelo Presidente do Partido, o Senador Eduardo Braga – foi obrigado a filiar-se na nova agremiação partidária, o Partido Republicano da Ordem Social - PROS, batendo CONTRA o Senador, na disputa por mais quatro anos no governo do Estado do Amazonas. O Omar Aziz (PSD) foi vice do Eduardo e, assumiu o governo em decorrência a saída do titular para concorrer ao Senado – ganhou a eleição, mas, como já tinha assumido o governo anteriormente, ficou impedido de buscar a reeleição. O Melo ficou bem na fita, pois é o dono da chave do cofre e, disputa a eleição para governador, numa batalha cruel contra o preferido nas pesquisas, o Eduardo Braga (PMDB). Chegou “a hora da Onça beber água”, pois o Eduardo não terá apoio do Omar e, nem do Prefeito Arthur Neto (PSDB) – todo aquele Prefeito do interior que lançar apoio ao Eduardo, terá a “torneira financeira” do Estado fechada! Sendo assim, o José Melo está com “a faca e o queijo na mão”, basta apenas cortar e comer!


ÁGUA DE BEBER – Era mais ou menos dez da noite, estava numa sede danada, abri a geladeira e, nada de água, fui até o garrafão e, nada do líquido precioso! É agora, José? A essa hora da noite não dava mais para ir atrás de água! Lembrei daquele comercial da Manaus Ambiental, apresentado pela Tatiana Sobreira, exaltando a qualidade da água encanada “A água da Manaus Ambiental é testada 30 mil vezes ao mês”. Caramba! Como é que pode? Mil testes por dia! Conta outra, gata! Pensei: “Vou no papo dela? Será que dá para beber direto da torneira, como aparece no comercial? Sei, não!” Por vias da dúvidas, fervi e deixei gelar um pouco, segurei a respiração, tampei o nariz e, tentei engoli, nesse momento, pensei na antiga “Colama”, o apelido da COSAMA – cara, não entrou nem com nojo! O jeito foi sair e comprar uma garrafinha de água num posto de gasolina! Eu, hein!
http://youtu.be/IG0SwJqs_0s


TÔ LISO – Num belo e ensolarado sábado em Manaus deu-se a abertura do maior campeonato de peladas do mundo, o famoso “PELADÃO”, o evento foi na Avenida Eduardo Ribeiro – no palanque das autoridades estavam o então Governador Gilberto Mestrinho e o poderoso dono do Jornal “A Crítica”, o Humberto Calderaro Filho – eu estava em companhia de uma galera do Igarapé de Manaus e, ficamos numa arquibancada de madeira, bem frente as autoridades. Dei corda para o Totonho, um colega que tomava todas “Totonho, num intervalo da apresentação dos times, vai até o meio da rua e grita: Governador, paga uma gelada!”. Se tu fizeres isso, pago “uma cheia” (uma garrafa de cachaça). Dito e feito! O Totonho largou o verbo! O governador na maior cara dura, respondeu: “Tô liso”. Ai o Totonho mandou chumbo grosso: “Se o governador está liso, imagina eu!”. Todo mundo caiu na gargalhada, incluindo a comitiva de baba-ovos que estavam no palanque. O Calderaro chamou o Totonho em particular e colocou uma nota máxima no seu bolso. Ao voltar, falei: “Totonho tá aqui a grana da cachaça!”. Ele respondeu: “Não precisa não, pois ganhei grana para comprar uma grade de cerveja, tô numa boa e o governador liso! Pode?

MÚSICA DE PENICO – Tem um “fio de uma égua” que passa com o seu carro toda noite no meu bairro e, põe no volume máximo uma música de funk com a voz de um carioca de morro – o problema maior não é essa música de penico (sem pé, nem cabeça, uma merda, mesmo!) , mas, o volume que de tão alto, estremece até o meu barraco! Será que esse camarada ainda tem tímpanos? Ou quer aparecer? Sei, lá! Tenho um vizinho que respeita a “lei seca”, mas, não respeita “a lei do silêncio! Ele bebe na sua casa, abre a garagem e, põe no toco umas músicas de puteiro (brega), depois, toadas do Boi Garantido e, para finalizar, detona o manjado Bruno & Marrone – o show vai das seis até as onze da noite de sexta-feira e sábado! Caramba, o meu ouvido não é penico! Acho que na próxima sexta-feira irei me mandar para o centro e, ouvir algumas músicas de responsa, no violão e voz do Cabral lá no ET Bar!

Obs.: Os leitores já estão acostumados com o BLOGDOROCHA, pois escrevo algumas postagens sobre temas sérios, históricos e alguns de interesse para a nossa cidade. Por outro lado, para relaxar, escrevo também de forma leve, cômica, debochada, com gírias, carregado de Amazonês e até com palavrões! É isso ai! 

domingo, 6 de abril de 2014

PONTA NEGRA MANAUS - FOTOCOLAGEM: ROCHA



NOSSA PONTA NEGRA, SEMPRE MUY BELLA! Estive, hoje, fazendo uma caminhada por lá e, tomei um banho refrescante no nosso majestoso Rio Negro! Quem ficou em casa, perdeu uma tremenda manhã de Sol!

sábado, 5 de abril de 2014

O CALÇAMENTO DE MANAUS EM PARALELEPÍPEDO

Recentemente, a Prefeitura de Manaus fechou o Largo da Matriz, para efetuar a revitalização daquele espaço histórico, onde se encontra o Relógio Municipal, um Chafariz, um Obelisco, o antigo Aviaquário (desativado), praças, casas centenárias e a Igreja Matriz da Nossa Senhora da Conceição – no trabalho inicial de escavação foi encontrado na Avenida Eduardo Ribeiro um calçamento de pedras de paralelepípedo, causando espanto para os técnicos do governo municipal.

O Prefeito Arthur Neto esteve no local e, determinou o restabelecimento do original, retirando camadas de cimentos e de asfalto que encobriram por muitos anos a história da nossa cidade.

Naquele local, existia o Igarapé do Espirito Santo, o qual foi aterrado em 1892, por ordem do governador Eduardo Ribeiro, para dar andamento ao processo de embelezamento da cidade – com o seu calçamento em paralelepípedo (hexaedro cujas faces opostas são paralelas e congruente) - existe por aquelas imediações um marco que está escondido dentro de uma galeria, ele tinha a função de medir as enchentes daquele igarapé.

Segundo os especialistas, o asfalto tem o poder de absorver o calor durante o período de insolação, liberando depois para o meio, parte desse calor, causando um desconforto térmico muito grande, por outro lado, no calçamento de paralelepípedo o comportamento é totalmente diferente, pois as suas características geológicas, absorvem menos calor, deixando a temperatura mais amena e tornando o clima mais agradável.



É um tipo de calçamento totalmente ecológico, pois depois de algum tempo aparecem fungos e gramíneas inseridas entre as juntas, desempenhando funções importantes para o meio ambiente, com a absorção de água e nutrientes, retendo parte dos sólidos carreados pelas águas das chuvas e micro partículas de poluição – tem mais: essas plantas realizam fotossíntese capturando o CO2 liberado pelos automóveis e liberando O2!

Na realidade, as principais ruas do centro antigo de Manaus, foram originalmente dotadas de paralelepípedo, mas, o progresso e a irresponsabilidade dos homens que governaram as últimas décadas, foram mudando “o velho” (as pedras) pelo “novo” (cimento e asfalto) – demonstrando uma total ignorância e desrespeito pela história da nossa cidade.


Os tempos são outros, os gestores públicos amazonenses estão mais sensíveis e, começaram a valorizar e a respeitar parte da nossa história que estava enterrada – o Largo de São Sebastião e a Praça do Congresso constituem-se em exemplos e, a Avenida Eduardo Ribeiro, um sinal de que teremos de volta, brevemente, o brilho da mais bonita e charmosa via pública da nossa cidade da belle époque. É isso ai.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

AS FULEIRAGENS DO BLOGDOROCHA: O CUNHADO CHATO

BLOGDOROCHA: O CUNHADO CHATO: Para começar, cunhado não é parente, mas aquele chato, será aderente até os finais dos tempos, sempre ficará na tua cola, mesmo depois d...

terça-feira, 1 de abril de 2014

TODO DIA É DIA DA MENTIRA!


Hoje é o dia da mentira, peta, impostura, fraude, lorota e potoca – uma comemoração que data do século XVI, quando o Rei Carlos IX da França, com a adoção do Calendário Gregoriano, mudou o dia do Ano Novo, de 1º. de abril para 1º. de janeiro – os franceses não aceitaram de imediato e, mandavam naquela data, presentes esquisitos e convites para festas que não existiam.

No Brasil começou quando um jornal mineiro “A Mentira”, lançado em 1º. de abril de 1828, difundindo uma notícia do falecimento do Imperador do Brasil Dom Pedro I, desmentindo no dia seguinte (ele faleceu em 24/09/1834).  

Sou favorável em manter todas as tradições e, na minha infância e adolescência, o dia de hoje era muito divertido, com pegadinhas de toda ordem – atualmente, todo dia é dia da mentira por parte dos políticos, senão vejamos:

1.   O JK declarou que faria um governo de 50 anos em apenas cinco!;
2.   Com a intervenção militar no Brasil, eles afirmaram que foram os responsáveis pelo “Milagre Econômico”;
3.   O Presidente Lula, no discurso do seu primeiro mandato, falou para a Nação que, no final do governo não haveria nenhuma criança com fome e que todo pai de família teria emprego e renda;
4.   O lema do governo da Presidente Dilma é “Brasil, um país rico é um país sem miséria!”
5.   O governador Amazonino Mendes (conhecido como Amazonino Mente) falou que faria um governo do 3º. Ciclo (1º. Borracha e 2º. Zona Franca), depois, foi chamado, por alguns gozadores de plantão, governo do 3º. Circo;
6.   Muitos parlamentares em campanha prometem “mundos e fundos” para o eleitor, além de distribuírem “de graça” consultas médicas, cadeiras de rodas, dentaduras, óculos, etc.;
7.   Muitos candidatos a vereança prometem: “Se for eleito, serei o teu representante na Câmara Municipal, farei de tudo por você e pela tua comunidade, serei implacável na fiscalização dos atos do Prefeito, pode contar comigo, confia em mim!”;

Segundo os estudiosos (filósofos e psicólogos), a utilização da verdade ou palavras certas no convívio com os outros são cada vez  mais uma “pura mentira”, pois apresentar a verdade em doses reduzidas facilita a vida e, aqueles que falam somente a verdade são considerados ingênuos.

Eles dizem que a mentira vem aos nossos lábios cerca de 200 vezes por dia, em média a cada 5 minutos! Caramba! O caboco logo ao acordar e, querendo pegar a patroa, olha para a mulher e diz “Você está com uma ótima aparência hoje!”. Depois, liga para o escritório e fala para o superior “Hoje não posso ir ao trabalho, estou prostrado, peguei uma virose danada!”.

No dia-a-dia no trabalho, o cara mente, engana, adula, engoda, sorri e olha inocentemente, tudo para manter uma boa atmosfera, mas, por dentro, está a fim de mandar o chefe para a PQP, tomar o lugar dele, pegar a colega no final de semana e por ai vai.

Pois é, mano velho, aquele cara que gosta de escrever bonitinho, lança livros de romances e contos, gosta de editar blogs e se amarra em redes sociais, escrevendo um monte de coisas, não vá na onda dele, pois noventa por cento é fruto da sua imaginação, portanto, mentira!

Então, vamos curtir a nossa lorota, pois todo dia é dia da mentira! É isso ai.

segunda-feira, 31 de março de 2014

A CONSTRUÇÃO DA CIDADE EM MINIATURA SANTA ANITA


Um dos hobbies preferidos do Mário Ypiranga Monteira foi a construção de uma cidade em miniatura, denominada “Santa Anita”, em homenagem a sua amada esposa que muito o ajudou na sua montagem. Foi estimulado a construí-la pelas ocorrências da sua primeira infância, quando tinha seis anos de idade, logos após ter sofrido um acidade quando foi vitima apanhado pelo bonde da linha “Plano Inclinado” e, ter recebido de seu pai um “conjunto ferroviário”, adquirido no “Bazar Alemão”.

Já casado e pai de três filhos menores, resolveu levar a frente o seu gosto por miniaturas. Quando abriu a “Loja Quatro e Quatrocentos”, conhecida depois por Lobrás e Marisa, situada na esquina da Avenida Sete de Setembro com a Avenida Eduardo Ribeiro - adquiriu uma locomotiva de corda e um vagão, com binário ovalado – fez a armação na sala de jantar de sua casa e, juntamente com os seus filhos, ficavam contentes em ver correr a composição, mesmo sem outros ornamentos ou estação de passageiros.

Resolveu o problema talhando em papelão grosso os desvios e uma secção (rotunda = largo circular) - levou o protótipo a um funileiro, um profissional que trabalhava com a confecção de peças em folhas de flandres, na Avenida Eduardo Ribeiro. Depois, o Mário Ypiranga fez duas estações de passageiros, com usuários confeccionados em cartolinas – um dia a corda estalou e a locomotiva acabou indo para o lixo.

Tempos depois, o Mário e a sua esposa estavam na fila para adquirir entradas para o Cine Avenida, quando avistou na vitrine de uma loja do seu amigo Antônio Matos Areosa (irmão do governador Danilo Matos Areosa), um conjunto ferroviário elétrico, composto por uma locomotiva, vagões tipo combine, binário oval e uma estação rústica. No dia seguinte, foi à loja e adquiriu dois estojos, com locomotivas de modelos diferentes e vagões de carga, era um produto sem escala e da marca Atma Paulista – a partir dai a maquete começou a crescer, pois o seu amigo proprietário da loja fez o pedido da fábrica de mais dois estojos, pois necessitada de mais trilhos e desvios.

A maquete ia aumentando e, surgiram dificuldades com o espaço físico, dando problemas na montagem e desmontagem do conjunto – o problema foi resolvido em parte, com a doação de uma mesa de tênis que não era mais utilizada pelo irmão de sua nora Geralda Guimarães Monteiro, a maquete ficou maior e permanente – ainda não existiam árvores nem pessoas para animar a paisagem, mesmo assim, ele se contentava com a variedade de composições, sem escala, ajudado por transformadores de quinze volts.

Com a instalação da Zona Franca de Manaus, ocorrido em 1967, houve a abertura de muitas lojas de importação – ele tinha um amigo que viaja muito ao Panamá, trazendo muitas novidades e, por sua sugestão, pediu que negociasse com material ferroviário em miniaturas, o Sr. Vicente Liberato começou a vender as primeiras composições com escala internacional HO (Half zero), de fabricação TYCO norte-americana. As facilidades foram muitas, pois aparecerem figurinhas de plástico, gente e bichos, casas de plástico para montar (ele mesmo montava), árvores, postes de luz, luminárias, estações, pontes, etc. – era um mundo de novidades, obrigando-o a fazer mesas grandes (em módulos).

Abriu outra loja na Zona Franca, a “Hobby”, situada na Rua Guilherme Moreira, cujo proprietário era o seu amigo Dálcio Tavares – ele foi o que mais importou material ferroviário em miniatura na escala HO, abastecendo aos aficionados de Manaus e turistas – era uma variedade enorme de acessórios, enlouquecendo aos apaixonados por miniaturas, tempo depois, o dono da loja resolveu parar com esse ramo, partindo para negociar com eletroeletrônicos.

O Mário Ypiranga ficou por um bom tempo sem a possibilidade de adquirir material ferroviário. Tempos depois, a indústria nacional, representada pela fábrica Frateschi de São Paulo, começou a produzir composições completas e, apareceu em Manaus os estojos contendo uma locomotiva, alguns vagões, um par de vagões, trilhos em oval e transformador, tudo em escala internacional HO.

Foram quarenta anos dedicados ao seu hobby, sempre adquirindo novos elementos, chegando a ter 133 locomotivas, 133 vagões de passageiros e 557 vagões de carga – a cidade em miniatura é composta de 14 módulos, medindo 1,10m x 1,10m, montada com 7,70m x 2,20m.

Após o seu falecimento, a cidade foi adquirida pela Secretária de Cultura do Estado do Amazonas, encontrando-se em exposição permanente desde 11 de agosto de 2006, na Galeria do Largo, no Largo de São Sebastião. É isso ai.

Fonte: Site do Mário Ypiranga Monteiro (Povos da Amazônia/SEC)


sábado, 29 de março de 2014

A PROSTITUIÇÃO NA MANAUS BELLE ÉPOQUE


Quando a cidade de Manaus vivia o boom da borracha, com grana “saindo pelo ladrão”, aportaram por essa plaga muitas estrangeiras “polacas”, elas eram conhecidas como “mulheres das portas abertas” e, fizeram muito sucesso junto aos senhores alinhados, seringueiros visitantes e outros inclinados à vida boêmia de bares, bordéis e casas de jogos, entre os anos de 1890 e 1920.

A demanda mundial e o aumento do preço da borracha trouxeram para a Amazônia, principalmente, nas cidades de Manaus e Belém, um aporte significativo de recursos financeiros, proporcionando um aumento populacional e a transformação em moderno centro urbano – foi um atrativo para as mulheres desembarcarem para ganhar dinheiro fácil.

A nossa cidade era dotada de luz elétrica, bondes, telefone, prédios públicos impressionantes, suntuosas residências particulares, bulevares arborizados e serviços frequentes de navegação para a Europa e Estados Unidos – uma pequena parcela da população concentrava a maior parte dos bens e recursos da região – eles se davam ao luxo de viajar para o exterior e adquirir experiência na Europa, com o francês sendo a língua preferida e Paris a referência intelectual e de moda da elite.

Com o dinheiro farto com o lucro da borracha, a cidade ficou cheia de salões, cafés, mesas de bilhar e a prostituição bem disseminada – sendo as mulheres brancas e estrangeiras as preferidas pelos homens.

Existiam muitas “cocottes” (prostitutas) francesas e judias, além das “polacas” vindas da Europa Oriental, uma mistura da Áustria-Hungria, Galícia e Romênia –não existia naquela época a figura do “cafetão” (explorador de prostitutas), aliás, esse nome deriva da roupa talar (até os pés) usados pelos homens judeus no Marrocos.

A cocote tinham madeixas longas e loiras, era elegantes e bem vestidas, destacavam-se numa sociedade na qual a maioria das pessoas eram morenas e baixas.

Por volta de 1920 houve o declínio total da borracha, a fonte secou e o dinheiro sumiu - as prostitutas polacas e francesas foram embora para lugares mais ricos – era o fim de um tempo de fausto e das “mulheres de portas abertas”, brancas, cabelos loiros e olhos azuis. É isso ai.

Fonte: As mulheres de portas abertas da belle époque amazonense – Thomas T. Orum